esta noite sonhei com o velório da minha prima que morreu em fevereiro. ela no caixão a falar connosco. viva da silva, mas com cara de defunta. aquele ar macilento que os mortos de doença oncológica carregam. mas sorria. e se inicialmente só falava com a família, ou era eu que achava que seria assim, depois já estava a falar com os amigos, até que acabou mesmo por sair do caixão.
e os filhos? oh meu deus, eu a ver os miúdos, a pensar que não deveria ser nada bom que eles vissem a mãe assim, criando uma falsa ilusão de que afinal estaria viva. foi uma canseira.

[o final do dia de ontem foi propício a sonhos terapeuticos. não faço ideia do que este representa. não quero saber. fiquei com saudades da Ilda, da sua serenidade, do seu sorriso mesmo quando já sabia que não haveria muito a fazer. de resto, estou numa fase muito feliz e tranquila da minha vida.]

tu es la vague, moi l’île nue

(merci, R., pour le dîner. et surtout par tout)

… estou de volta ao trabalho!

e aqui cheia de inveja de um tipo que acabou de atravessar a piscina toda debaixo de água, com uma tranquilidade impressionante! e está de volta! (deve conseguir dar beijos que duram meia hora, certamente!)

se Deus não existe, peço que alguém o invente, para lhe agradecer estes dias.
[o que eu adoro água só se pode explicar pela astrologia, acho. bem… no consultório da Rute, também se lá chega!]

hoje estive entre as onze e as quatro da tarde da espreguiçadeira para a piscina e da piscina para a espreguiçadeira.

férias.

quero viver estes 49 como uma preparação.
muito bom dia.
hoje é o meu aniversário.

a minha mãe chega e nada mais decorre ao ritmo normal!
valha-me Deus!

um dia, talvez um dia eu aceite o que vier.
neste momento, sim, neste momento fico-me pelo mais simples:
quero que seja perfeito.
p.e.r.f.e.i.t.o.
é para isso que tenho trabalhado.
talvez um dia me canse e desista. e aceite o que vier.
talvez.
um dia.
amanhã?
quando é que é o amanhã de amanhã?

me diga como você pode
viver indo embora
sem se despedaçar…

uma pedra e

dois quadrados

um quadrado

dois quadrados

um quadrado

um quadrado

um quadrado

ou
do prazer das coisas que não precisamos para nada visto que estamos no verão mas também não interessa porque não as temos. é mais tipo assim amor platónico.

e com a idade a coisa não vai melhorar!

[mais do que uma pessoa me diz que sou muito complicada. das duas, uma. ou as pessoas que mo dizem são todas iguais, ou estarão mesmo certas e eu sou mesmo muito complicada. aqui a pensar qual o universo que é preciso para apurar tal estatística.]

a tentação.

a tentação…

a tentação!!

caminhei duro para te encontrar.
no reflexo que deixaste na água,
saberei eu se foi na água, se no meu olhar, se no meu sangue?
vi histórias de zen cantar.
espreguicei-me à beira do lago, esfreguei meus pés cansados nas pedras da borda de água.
respiro fundo. e inspiro ainda mais. sei que terei de fazer um caminho em apneia, mergulhando nas águas que estão à minha frente.
[mãe, terá sido muito difícil a minha expulsão?]
já só sonho com cabelos esvoaçantes, banhos quentes e massagens eróticas. um dia, dizes-me. sim, um dia, que não muito longe, vou estar no meu castelo a dormir e acordar junto à água.
(faltará muito tempo para o meu aniversário?)
preciso de uma máscara de lama, que me limpe o passado e retire este cansaço que trago no olhar.

estico o braço e toco-te. meu castelo de zen cantar.

à procura da Mónica (que não a Bellucci) fui dar com isto: ‘Exclusividade prejudica relações amorosas’. espero bem que o link abra e o vídeo se veja, sem assinatura, porque achei a frase “a monogamia vai transformando o casal em irmãos” muito verdadeira e difícil de contrariar.

aprender a boiar – para me deixar ir…

descobri um pelo branco na sobrancelha esquerda!!!

(para não falar de que entrar na copa e ver o galináceo a tomar o pequeno-almoço enquanto fala de pílulas e perdas de sangue… se esta merda não provoca danos muito maiores do que qualquer mãe do mundo, não sei, não!)

… the english accent!!!

(thank u 4 teaching me that!)

isto!

“Am I bovvered? Am I bovvered though? Look at my face. Is it bovvered? Arks me If I’m bovvered! Look, face, bovvered? I ain’t bovvered!”

quero-me perder…

… era sair daqui e ir direita para a cama dormir uma grande sorna!
ou dormir uma sesta à beira mar, assim o Smartinho rebatesse os bancos… porcaria de ideia de comprar carros pequenos!

[bem que me apetecia colinho, ontem, e levei uma tareia que vai lá vai!!]

bom dia. trânsito medonho. dores no pescoço. agitação na chafarica. e daqui a uma semana já terei acordado com quarenta e nove anos.

dores nos…

salto pedra verde água
vento brisa folhas calma
pássaros canto noite branca
chafariz lago lezíria estrada

ontem vi a lua quase por metade. quis agarrá-la e perguntar-lhe, porque estás tu tão pequenina, que me foges entre os dedos? mesmo quando penso que já te agarrei, tu consegues sempre escapar-me?

estar a falar com alguém que não nos quer ouvir…
ainda estou aqui a tentar descobrir se eu sou de falar pouco ou de ouvir muito… o que eu sei é que toda a gente me escolhe para alugar o ouvido.
(a minha mãe a acabar de me ligar. fala, fala, de cada vez que digo qualquer coisa, já ela está a interromper-me para me contar mais uma coisa… oh valha-me deus!)

era dormir uma sesta deitada na areia da praia do meco, toda nua, embalada pelo som das ondas devolvido pelas arribas…

agora, todos os dias acordo às sete da manhã!
claro que depois quando são horas de me levantar, mesmo, a coisa complica…

It’s not the way you look
It’s not the way that you smile
Although there’s something to them

It’s not the way you have your hair
It’s not that certain smile
It could be that with you

… tenho horror a compromissos e tinha* bem consciência disso.

*belíssimo acto falhado! eu queria dizer, e escrever obviamente, ‘não tinha‘.

[ai, Rute, Rute, estivesse comigo todos os dias e ia ver que isto está bem melhor do que o que parece no consultório!]

como dizem eles por lá, estamos na banda!

shall we dance this one last wild waltz?

Na vida só resta seguir
Um risco, um passo, um gesto rio afora.

(Tribalistas – É você)

puxo-te para mim.

tratar as crianças, ou projectos de, por feijão, pipoca, etc e tal.
não consigo entender esta coisa de substituir os nomes por alimentos. estou a gozar, não é por causa dos alimentos. é a substituição em si.

de volta a equipa completa. muito bom!

não preciso que me entendam, do momento que me respeitem.

acabei de fazer uma incursão, com os meus dois colegas, até à copa, para enfardarmos um palmier coberto.
um para cada, claro.
m.a.r.av.i.l.h.o.s.o.
e, sim, almocei. arroz de pato que estava delicioso.
e, não, ainda não rebolo.
qualquer dia, talvez…

[eu tinha escrito almocei com ç e ninguém me manda um mail a insultar-me? ai, querem ver que tenho de me chatear? para não falar do quão arruinada psicologicamente eu fiquei por: 1) ter cometido tamanha calinada, 2) não imaginar sequer o motivo. pensando bem, eu ia escrever almoço e depois pensei em almocei. deve ter sido isso. mais descansada.]

no tempo certo, talvez eu abra os braços
talvez tu apareças
talvez o sorriso faça de cumprimento
o abraço o retorno

no tempo certo, talvez já não te lembres
talvez eu já tenha esquecido
talvez a gargalhada nos contagie
novamente

até lá, já não sei onde começou
porque acabou
sei das saudades
que sinto
do tempo em que éramos como família.

finalmente. novamente.

hoje a caminho da copa já se ouvia umas vozes estridentes de mulheres, pensava eu umas cinquenta, mas afinal eram só duas.
eu a imaginar o tormento de lá entrar e tentar rapidamente sacar de um café e umas garrafas de água, enquanto elas tomam o pequeno-almoço e ou discutem coisinhas da sua vida, ou a venda de eventos com catering e mais umas merdas dessas modernices do marketing e do corporate.
nada disso. hoje havia brinde!
eram as senhoras da empresa de limpeza, refasteladas na mesa da copa, discutindo os três sobrinhos que uma está para ter e as vantagens de umas coisas ficarem para os outros, alto e bom som como se estivessem na puta da copa da empresa onde elas trabalham, e que não a tem obviamente.
acho fabuloso este abuso. este não saber estar. onde todos se querem confundir com todos.

isso e o pedro proença achar que devia ser recebido no aeroporto por membros do governo. e um pano encharcado nas trombas, pá? não?

passear com a língua por cima do verniz liso e escorregadio.

ontem quando cheguei a casa, já hoje, a lua estava ao fundo da minha rua.
imponente, atirava-me com a sua luz por detrás de um floco de nuvens que a queriam esconder.
caía já para o seu descanso, por isso se apresentava tão próxima.
quase tirei as mão do volante, na tentativa de lhe tocar.

finalmente, ao fim de uma jornada de luta e bastante sofrimento, encontro-me em paz.
feliz. preenchida. com tudo dentro de mim nos sítios certos.
e a segurança do risco.
novamente.

§ olho o teu rosto suave e comove-me o teu sorriso quando se revela frágil. no fundo do teu olhar encontro ribeiros onde nadam peixinhos inocentes. vou pegar-te na mão e atravessar esta vida contigo, porque assim o decidi e me faz sentido. agora que atravesso estes dias quentes da minha meia idade, ter medo é uma coisa que já não combina comigo. uma coisa, somente uma coisa, me motiva: ser feliz. e que o meu sorriso seja aberto, tão aberto como o meu olhar quando procuro a beleza do quotidiano.


eu vou!

por princípio, acho que só existe Bem- por ser incapaz de praticar o Mal.
por experiência, acho que só existe Bem – por jamais ter sentido o Mal.
mas, também sei que aquilo que eu vejo, e sinto, é só um grãzinho de areia de todos os desertos do mundo juntos.

[às vezes acho que sou demasiado ingénua. sou-o não por estilo, mas por incompetência em procurar o pior que existe em cada um de nós. não me ensinaram a desconfiança. sou crédula, porque acredito no Bem e acho que todos são tão inteligentes quanto eu, para perceberem que é o caminho mais fácil.]

unhas pintadas. de vermelho escuro. para ir jantar com a minha amiga que detesta unhas pintadas de vermelho escuro.

pintar as unhas com cores fortes.

… era de quem me pintasse as unhas!

a facilidade com que se passa de bestial a besta… pode estar somente num pormenor de uma bola que bate na trave.

… como um carro que acabou de sair da oficina para alinhar a direcção.

[a foto não tem nada que ver, mas é um bocado como a minha vida. nem tudo o que parece é. a única coisa que parece e é, é a minha terapeuta: querida, querida, querida, como só ela!]

em dia de ressaca do futebol aparecem os curiosos todos a mandar bitaites sobre coisas que desconhecem e nem se preocupam em conhecer.
parem lá de discutir porque é que o nani trocou de lugar com o bruno alves na marcação dos penalties.
aquela merda não é aleatória. os jogadores são escolhidos e é designada uma ordem. que não pode ser alterada. não é assim como dá jeito, deixa cá ver se agora estou com fé!
e há um penalty claro a nosso favor, que se fosse ao contrário certamente seria marcado.

… de coleguinhas de trabalho que falam ao telefone de um assunto de trabalho, que ainda irão falar durante o dia mais não sei quantas vezes, e se despedem com beijinho. oh que caralho. um beijinho?

ou eu estou muito sensível, ou este meu colega a abrir os armários parece que está lá em baixo na estiva a abrir portas de contentores. foda-se!

[dia muito intenso. de trabalho e de emoções. boas. já agora, podia continuar.]

tal como com os animais e as criancinhas, sou particularmente sensível e compreensiva com esta malta que se lembra de andar a passear de bicicleta na marginal, logo de manhã.

(filha da puta da passadeira de Caxias)

bom dia!

na mãe que me conduziu.

[consigo ter a humildade suficiente para me rir dos meus actos falhados. e aceitá-los como tal porque, e quando, me fazem sentido.]

sinto-me a mudar de pele. tivera eu engenho para escrever o que vai dentro de mim, ou de o dizer, simplesmente, e seria muito mais fácil de me entenderem. mas não tenho. nem engenho, nem ousadia. procuro, neste momento, ficar sossegadinha a gozar a transformação que se vai apoderando de mim, levemente. já começou há tanto tempo, e foi tão lenta, que nem sempre me dou conta do que foi ficando diferente. da que saiu de mim e deixou entrar outra. e, de facto, embora para fora talvez não se note nada, aqui dentro há uma nova mulher – da qual eu estou a gostar imenso.

i’m not in heaven.
yet!

… serei menos boa a fazer determinadas coisas que agora faço muito bem.
e isso não será mau sinal.

ultimamente, parece que antecipo o momento em que a minha mão mãe me vai ligar.
penso nela, há quanto tempo não falamos e de seguida ela liga.

[finalmente apaziguada. que bom. que bom que ela me tenha dado tempo para eu trabalhar isso e não me tenha abandonado antes.]

[M, fica aqui guardado. assim nunca mais o perco! obrigada pela procura.]

correio

meiavolta(at)gmail(dot)com

fotografias

todas as fotografias aqui reproduzidas são da autoria de ©Anabela Brito Mendes, excepto se forem identificadas.

acordo ortográfico

não sei como se faz e nem quero saber!

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