conforme avanço, as cores modificam-se, as palavras contêm-se.
é azul, é dourado, é cinzento, é laranja.
esconderijo. casa. quarto. cama. estrada. nuvens. frio. insegurança. medo. incerteza. amor. carinho. desejo.

fugiste-me? renegas-me? não me falas? tens medo do que ouves?
como chegámos a este ponto? ou não chegámos, fui só eu que fugi para não me magoar?
por não aguentar mais que me perguntes coisas para as quais as respostas que tenho não são suficientemente claras para te apaziguar os dias? quem sabe os últimos dias?
deveria ter medo desses dias?
sabes, eu tenho. tenho medo de que chegue o dia em que eu já te possa responder e tu já não estejas aí. estejas somente dentro de mim, na memória.
nessa altura talvez me encharque de anti-depressivos.
até lá, deixa-me tentar fazer isto assim. demasiado lentamente para ser caminho verdadeiro, mas ainda assim dando-me essa falsa ilusão.

Prima, olha o presente que a tua Prima Morena acabou de me oferecer. (relembro-te que a inveja é um pecado mortal, sendo que pode tornar-se capital se…)

não consigo orientar-me neste labirinto que percorre a minha cabeça.
será hoje que fico em branco?

tal como o frio que se faz sentir no meu corpo, e cujos efeitos do copo de tinto que emborquei ao almoço já começam a desaparecer lentamente excepto na cara, o meu cérebro está completamente bloqueado.
ainda aqui na dúvida se congelado se frito.

rebuçado caseiro

até lá…

mas o blog que eu mais gosto de ler é o meu.

lembrei-me agora do Frei Hermano da Câmara. que será feito dele?
“… e o lenço a dizer adeus, por mim que não sei dizer…”
um colega meu teve uma ideia brilhante: vendermos lenços brancos à porta dos estádios! no sporting seria um festival…

1. renovar
2. melhorar
3. retocar
4. consertar; restaurar
5. indemnizar
6. restabelecer
7. compensar
8. reforçar
9. dar satisfação a
10. avigorar
11. notar; examinar; ver
(fonte Priberam)

realmente, são muitos os sinónimos e cada um escolhe o que lhe faz mais ressonância.

(…) porque eu sou feita pro amor da cabeça aos pés e não faço outra coisa do que me doar (…)
Rosas, Ana Carolina

Existirmos: a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina

(Caetano Veloso)

assumir a mudança é aceitar passar por todas as etapas que me aparecem. é aceitar a experiência de viver novos padrões, nomeadamente aqueles que colidem de frente com os que tinha confortavelmente instalados.
é  viver tudo isso, procurando não rejeitar sem apreender tudo o que puder. é sentir-me profundamente assustada às vezes, é questionar-me permanentemente do sentido que me faz este caminho, é estar no skywalk do grand canyon.
é sentir uma estranha atracção por aquilo que a olho nu me parece um abismo, mas ao mesmo tempo ter uma confiança profunda no que sinto e me faz avançar.

* de uma velhinha canção dos Black Sabbath (que um dia uma ex-namorada me deu a ouvir, depois de eu me ter portado muitíssimo mal)

como é que eu vou conviver com o meu cabelo, naquela altura em que ele já não estará curto e ainda não estará comprido?
nem quero imaginar… mas não se adivinham tempos fáceis.

san francisco - USA - agosto/10

 be sure to ride a bmw.

[post dedicado à minha querida João Horta, tipo ‘ainda estou à espera da voltinha na mota e não, já não estou constipada há meses, logo já não espirro e conspurco o capacete’]

e isso não é, forçosamente, sinónimo de estar cheia de pica!

Who had a bigger influence on you? (sorry)
a) your mother  b) your father  c) someone else

ahahahahah! esta tem mesmo muita graça, para uma terça-feira!

[simple diary]

ontem tive um jantar muitíssimo bom. com conversa muito boa e descontraída, como se fosse um hábito semanal de amigas antigas.

Isabel G, na linha dos prazeres ao ar livre:

Bryant Park - Manhattan - NYC - USA - agosto/10

o que fizemos é directamente proporcional ao que não fizemos.
ambas as situações são dinâmicas. embora a segunda, escrita desta maneira, não o pareça.

necessidade urgente de colocar em palavras o que se modificou em mim. quando o conseguir fazer, sentir-me-ei mais leve. liberta. e mais responsabilizada, também, o que é de facto o busílis da questão.
[sou escrava das minha palavras. o que digo, compromete-me.]

– bebemos vinho ao jantar?
– claro!
– ok. levo tinto, pode ser?
– tem que ser! o rogério alves não é bom?

[e eu a pensar… rogério alves? que raio de vinho será esse? ah, bom, estamos a falar do sporting… ok! ainda estive para responder, não sei se é bom, mas é branco e nós queremos tinto, não é?]

de tornar as coisas mais pesadas do que elas já são!

hoje é segunda-feira. início de uma nova semana.

[sábado, desportivamente, foi um dia muitíssimo bom! gosto cada vez mais da minha equipa!]

estou naquela fase em que me cai água salgada por tudo e por nada.
so, please, be gentle with me!

não procurar ajuda é tão difícil como aceitar ajuda.

Loving, living, everything.

[simple diary]

… espero alcançar independência e fé.

eu gostaria de sol para a tarde de amanhã.
agradecida.

in vino veritas
em português quer dizer ‘com a verdade me enganas’, não?

com precisão.

em agosto escrevi um post que dizia isto: as pessoas têm liberdade para fazerem tudo o que desejam, inclusive a de assumir as consequências dos seus actos.
há pouco, quando fui fumar, ouvi uma conversa que me recordou esse post e o quanto me continua a fazer imenso sentido.
o que estava em causa quando escrevi isto, e em todas as vezes que o penso, é a mania que as pessoas têm de achar que, quando sabemos as consequências dos nossos erros, não deveríamos de errar. e dizem coisas como já não sei mais que lhe diga; já lhe fiz ver o que o seu comportamento pode provocar; etc, etc., numa atitude perfeitamente paternalista e altiva, de quem aconselha cobrando.
se há coisa que me fecunda, mesmo, é essa merda! essa altivez de se acharem: eu avisei… ai que fico possessa!
a liberdade é essa coisa: de fazermos o que queremos. se quiseremos foder tudo, fodemos, so what?

* a contabilidade invade-me os neurónios.

e isso é para que horas?

há pessoas assim, que não conseguem evitar ser grosseiras. bebem o café como se estivessem a moer os grãos. comem como se os talheres fossem instrumentos de arar a terra. furam papéis como se estivessem no texas a descobrir petróleo. arquivam documentos como se estivessem a furar ferro. arrumam pastas como se estivessem num armazém a distribuir paletes. é tudo exagerado nos gestos. a aceleração, o ruído, o desperdício, a improdutividade. falam alto, encostam-se a nós para terem a certeza de que são ouvidos, gesticulam largamente.
e isso numa manhã branca, como a de hoje, é pouco menos que insuportável!

isso, ou eu estar com fome.

Santa Monica Beach - LA - USA - agosto/10

a propósito das Mónicas da nossa vida, eu já tomei banho numa.
na praia de Santa Monica, claro!
[post muito dedicado à minha querida Prima]

não é nada fácil.

agora, passados quase cinco meses, parece-me impossível que tenha tido a coragem de me aventurar naquela ponte de vidro. quando comprei o bilhete peguntei à senhora, que me atendeu, se aquilo era mesmo fantástico, ao que ela respondeu que sim. e, de seguida, quis saber se ela já tinha lá estado, quiçá esperando encontrar alguém em quem fizesse ressonância o meu pânico. e ela, com um sorriso, respondeu-me: vou lá todos os dias de manhã. sou eu que faço a limpeza do vidro! 
a sensação que experimentei, no momento em que me encontrei à beira de colocar o primeiro pé no vidro, ainda hoje é extremamente vívida. a primeira volta foi junto aos corrimões, que é onde tem uma estrutura de ferro por baixo. mas depois aventurei-me no vidro. é estonteante. eu sentia que a qualquer momento o chão me fugiria dos pés e eu seria sugada pelo espaço até lá ao fundo, e eu ali sozinha (salvo seja, que andavam lá mais pessoas com receio igual ao meu). foi muito difícil. mas foi muito bom tê-lo feito. só de ver as fotos, voltei a arrepiar-me. sentiria o mesmo receio se lá voltasse. mas faria tudo novamente.

[a simbologia das coisas é muito interessante. às vezes dolorosa, mas interessante.]

no meu primeiro dia:

If it’s not there, there is nothing to find out.
(Simple Diary)

para gente incompetente!!
(sim, estou a falar de mim…)

e a 2a circular impossível!

esta merda pode vir a ter (*) efeitos práticos muito bons, mas custa pra caraças!!!
(*) terá, certamente, ou eu não me chame… o que me chamo no BI!

que foi excelente. divertido. cheio de palavras, cigarros, álcool qb e noitadas. fui a dois sítios no Porto que não conhecia (como se eu conhecesse muitos sítios, my god!): o Lusitano e o Maria Vai Com As Outras. e gostei muito de ambos. diverti-me imenso com a Prima (não é à toa que ela é doida varrida), mas isso já não é novidade. ainda estou a recuperar, acho. deve ser por isso que estou com uma soneira brutal!

[Prima, que nome se dá aquela coisa que é da família do manto diáfano do esquecimento???]

… a tentar evitar que os olhos se fechem, a cabeça penda e caia com estrondo em cima dos papéis que  me invadem a secretária!

(bom dia a todos! boa semana!)

[clicar no logo para ir para a página]

porque, mais cedo ou mais tarde, todos precisamos de quem nos faça aquelas coisas de que menos gostamos ou para as quais não temos tempo.
(será que me comprariam as cuecas? vou investigar!)
pessoal de confiança, asseguro-vos.

acabada de me sentar no restaurante para jantar e não tenho os óculos na cara, não sei se os trazia, se os deixei no carro ou o que é que aconteceu! mas como é que eu não percebi que estava sem óculos? oh cum caneco!!



uma pessoa festeja a passagem do ano, faz uma data de votos e coiso e tal caracol e couves, faz balanços e projectos para 2011 e depois anda o dia todo a fazer lançamentos com data 2010/11/xx! e ainda falta 2010/12/xx!

ontem já ía no final da marginal, passava das onze e meia da noite, tinha estado uma noite horrível que me sitiou dentro de um gabinete sem hipótese de ir espreitar o treino, e ouço o meu telemóvel dar sinal de mensagem.
“beijinho Ana”, somente.
tínhamos acabado de estar juntas. em poucos minutos actualizámos o que se vai passando connosco, sem tempo para mais. mas tinha-me sabido bem aquele bocadinho de partilha. e depois aquela mensagem fez-me sentir que, para mim, o melhor do mundo é ter pessoas na nossa vida.

… havia duas coisas das quais não abdicava: ter um motorista às ordens e ter alguém que me comprasse as cuecas. há lá coisa mais estúpida e desinteressante do que comprar cuecas? que cagalhão! (bom de ver que preciso de o fazer, não é?)

o melhor é habituarmo-nos a que este seja um inverno cinzento. da minha parte estou a fazer tudo para isso. por exemplo, fui à copa buscar um café e alambazei-me a quatro sonhos: dois com açúcar e canela e dois com calda. ah pois é!

ao fumar um cigarro depois de almoço, andei a folhear “a bola”.
com pompa e circunstância vem um artigo a destacar o uso de novas tecnologias por parte da equipa técnica do sporting. não vejo qual a novidade da notícia, porque tudo isso tinha sido dito no início da época. e tanto realçaram aquilo que eles chamam “gabinete da nasa”! quando li isso pensei, eh pá este ano vão arrasar com tudo!
mas, a experiência que tenho do desporto fazia-me céptica, porque todas essas coisas valem o que valem. ou seja, valem se tudo estiver conjugado.
claro, chegada a esta altura do campeonato, com a miséria de futebol que a equipa apresenta, valem uma merda!
ainda assim, hoje vem a notícia que o adjunto usa um iPad para concentrar toda a informação e na altura da substituição de algum jogador lá está ele a mostrar alguma coisa maravilhosa, certamente, mas que raramente resulta!
mas que pobreza franciscana!! com tanta coisa para analisar, planear, antecipar, devem esquecer-se de treinar ou coisa assim…

sou muito lenta a elaborar mudanças e a concretizá-las. e preguiçosa, também.
sinto dentro de mim, como uma máquina afinada, um trabalhar cadenciado e sistemático.
já não é trabalho de empreitada, tipo colocar o telhado antes que comece a chover e depois reboca-se as paredes.
não. é mesmo a tranquilidade de trabalhar a mudança. não sei o que conseguirei, sei, no entanto, o que pretendo atingir.
e talvez, por estar assim tão virada para mim, não me saia nada para escrever.

aqui a fazer contas à vida e, se tudo correr muito bem, até ao final de maio só tenho quatro fins de semana completamente livres.
em cinco meses… nem um por mês dá!
como diz a minha mãe, quem te manda a ti sapateiro tocar rabecão?

e o próximo fim de semana no nuorte com o mimo da Prima é que era!

esperai um pouco, que o sol não tarda aí!
bom dia. dia cinzento. cinzento não é preto nem branco. branco é o cabelo da mãe. mãe há só uma. graças!

sabes que, conhecendo-nos nós há tanto tempo, este é o primeiro aniversário em que te dou dois beijos de parabéns e um abraço ao vivo e a cores?
simbolicamente, teria de ser este.
minha querida, estás de facto de parabéns por tudo o que faz de ti essa mulher fantástica, que assume a dor do crescimento qual crisálida a querer transformar-se em borboleta. não imagino que haja quem abdique de testemunhar isso. eu teria uma falha imensa se não pudesse ter esse privilégio. e farei sempre tudo para o acompanhar de perto. pelo que representas para mim, pelo amor que te tenho.
(acabaste de dar um pontapé num gin tónico e andas armada em sopeira a limpar o chão – tanto glamour no teu aniversário!)

[faltam-me as palavras… para onde terão ido? onde terão ficado?]

(Grand Canyon – USA – agosto/10)

(Las Vegas – USA – agosto/10)

(San Francisco – USA – agosto/10)

pastando com uma grande paisagem de fundo.
(Grand Canyon – USA – agosto/10)

dia de mudar as canalizações.

o novo ano, novinho, novinho, com poucas horas de vida.
só agora me dou conta do quão desejosa estava pelo virar desta página. tenho muito que fazer este ano. estou até algo ansiosa para começar, apesar de saber que já comecei.
não tenho tempo a perder com coisas, ou pessoas, que não me satisfaçam. estou naquele momento em que já saltámos, ainda não fizemos a recepção ao solo, mas já não dá para recuar – portanto, só se pode seguir em frente e escolher fazê-lo com o maior número de ganhos possível e que se manifestem de forma consolidada à la longue.
[a passagem do ano foi divertida. diferente. leve. e soube-me particularmente bem o champanhe e o charuto que fumei. acho que me vou tornar apreciadora de Montecristo n.5]

o mar. ainda em despedida de ano. mergulhar o olhar. lavar a alma na água batida. atirar desejos para além da rebentação.

o céu. na despedida deste ano, tudo de bom para quem aqui passou. e muito obrigada pela partilha. temos à porta um ano inteiro para estrear. vamos aproveitá-lo muito bem.

de vez em quando há quem pense que eu sou mais interessante do que na realidade sou.
[mas se esperarem uns dois anos, talvez tenham uma surpresa!]

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acordo ortográfico

não sei como se faz e nem quero saber!

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