a nossa ponte sobre o Tejo é mais bonita que a Golden Gate!

here i am!

a aproveitar o sol nas escadas que é onde o wireless funciona melhor.
tenho a certeza de que quando regressar ao trabalho não acordo com esta ligeireza às oito da manhã!
daqui a pouco parto para San Francisco. com vontade de levar some flowers in my hair.
quanto ao crescimento, devo informar-vos que já tenho quase um metro e oitenta. a coisa boa de se visitar este país, é que uma pessoa se sente sempre elegante. é quase tudo gordo, feio e mal vestido. ainda não vi uma mulher que me fizesse olhar duas vezes, que tristeza! bem… ontem vi uma lifeguard dentro de uma brutal pick-up que… ainda não disse, mas desde Las Vegas até LA consegui andar uns bons km na Route 66!

saindo de LA em direcção a norte, junto a San Luis Obispo, em Morro Bay, encontra-se a estrada nº 1, que vai passar em Carmel Valley e em Carmel-by-the-sea.
Morro Bay é uma vila piscatória, muito bonita, com uma baía e um promontório à frente que faz de separação com o Oceano. esse promontório é chamado de Morro.
a vila tem imensa vida selvagem. na baía nadam alegremente lontras, leões marinhos. há imensas gaivotas que ficam junto a nós sem fugirem. pelicanos que não se aproximam assim tanto. e nas rochas dos pontões há bué esquilos. fica-se um bocado parada e eles começam a sair das rochas. um festival de bicharada, portanto.
começando a subir, numa zona da qual não me recordo o nome agora, mas pouco mais à frente, há uma praia que tem uma enorme comunidade de leões marinhos. entre abril e agosto, salvo erro, ocorre a época da mudança de pele. então, era vê-los esparramados na praia a apanharem sol e a atirarem com a areia ou algas para cima do corpo, por causa do calor. alguns já tinham mudado a pele e eram completamente claros, parecendo albinos. estive a meia dúzia de metros deles a tirar fotos. e ver um animal daqueles, um macho que pesa em média 2.500 kgs, a sair da água para se estender na praia é lindo. fica-se cansada só de fazer força mental para ajudar.
a estrada nº 1 que vai até San Francisco, para onde irei amanhã e até ao meu regresso que vai ser mais cedo do que inicialmente previsto, é feita maioritariamente junto ao mar. com paisagens deslumbrantes, porque mar do lado esquerdo e olha-se para a direita e há montanhas muito perto.
para terminar, até para mim que vim de áfrica e estou familiarizada com grandes dimensões… esqueçam lá isso. isto é brutal!

(entretanto, nesta semana que já passou, cresci e consolidei mais coisas que em muito anos da minha vida! e não, não tem que ver com o país. é o sofrimento que nos dá uma estaleca fdp! aprende-se a relativizar tudo, que maravilha! )

não é trocadilho. estou mesmo em Santa Cruz da Califórnia. mais calor, novamente, mas a água é fria! boa para arrefecer a pinha, que tem trabalhado muito nos últimos dias.

continuo a acordar cedíssimo. tenho menos 8 horas que em PT e em tão poucos dias isso não se esbate.
Las Vegas já passou. temperaturas de 40 graus só podem mesmo ser combatidas com casinos, porta sim porta não, para entrarmos e refrescarmo-nos. e beber qualquer coisa fresca on the house. ontem estive no Grand Canion West. arrebatador! fomos ao final do dia e quando partimos era altura de o sol se pôr do lado oposto, transformando aquilo tudo numa mescla de vermelhos, laranjas e castanhos lindissima.
tenho um bilhete em forma de pulseira que diz: Grand Canion Skywalk i did it! para quem tinha medo de atravessar as passadeiras de vidro do Colombo… digamos que foi… um encontro face to face com aquela que vive em mim e precisa de crescer. fiz o percurso umas dez vezes, sentei-me, deitei-me de barriga para baixo a olhar para o fundo. se de repente fiz aquilo com uma perna às costas? não! a todo o momento sentia as pernas a vacilar. mas acho que o crescimento é assim: não deixamos de viver as coisas só porque as tememos! eu avisei: aos 50 vou estar em ponto de rebuçado.

… já fui ao Grande Canion West.

saudades de casa.
(chamem-me nomes se quiserem, mas a verdade é que cada um sabe de si)

calor do caracas!

estou toda podre.

e com fome.

começam dentro de pouco as 24 horas mais longas da minha vida.
irei fazer pela primeira vez uma série de coisas: viajar sozinha de avião, fazer férias com amigas a milhares de km de casa e visitar sítios que só conheço de imagem.
este dia poderá vir a ser muito importante para mim, porque não terei muito por onde fugir dos pensamentos. servirá para fazer balanços? quem sabe!?

ficai por cá muitíssimo bem. eu vou para lá tentar o mesmo. manias… 🙂

esta coisa de se ter muito mundo nem sempre é uma coisa boa.
muitas vezes damos mais importância ao entendimento do facto, do que propriamente ao efeito que ele tem em nós.

os anos passam e a minha capacidade de me pôr a jeito não diminui nem um bocadinho!

… e eu a ficar cada vez mais angustiada.
agoniada.
sei lá…

… é que olho para o lado e consolo a vista!

(ficar com vontade de se fazer coisas, de se dizer coisas, para além de não ser muito saudável, fisica e psicologicamente falando, é uma bela maneira de nunca se descobrir a dimensão do nosso erro. não acrescenta nada de positivo para fora, nem de fora, e só se aumenta a nossa angústia. é ser julgador em causa própria e no pior sentido do termo. é acrescentar dor, ao nosso sentir, que é estéril. é ficar de braços cruzados cheios de culpa, que é uma belíssima maneira de termos aquela dose de self pity que sabe tão bem. ninguém nos entende, embora nada tenhamos feito para descobrir a veracidade dessa nossa convicção. enfim, uma boa forma de não seguirmos em frente!)

o que fazer quando a vida nos traz, de repente, coisas das quais não estávamos à espera?

[prefiro dizer traz do que tira, porque para além de ser uma perspectiva mais construtiva, dando-nos assim um sopro de alento, é muito mais realista. tudo o que nos acontece é algo que nos é dado, não retirado. a dor que isso possa causar faz com que muitas vezes pensemos em perdas, 'quem quer falar de ganhos quando o coração estremece de tristeza e desalento?', mas a verdade é que são acréscimos.]

quando nos vira o sentido para outro lado que não aquele em que caminhávamos e estávamos seguras de que era por aí que estava correcto?
quando nos obriga a repensar o dia a dia, as rotinas, os caminhos, as decisões?

bem… não há assim muito por onde escolher. é seguir o caminho novo que nos aparece. aceitar e entregarmo-nos a ele.
na bagagem levamos a dor, o desalento, as marcas das olheiras, o ranho misturado com lágrimas, o hálito a tabaco fumado sofregamente, tudo o que faz parte desse estado e que temos direito a sentir, ainda que possam dizer que tudo vai passar e correr bem. há um tempo para berrarmos de choro, para nos sentirmos uma porcaria e mais, para não querermos que ninguém nos diga que tudo vai passar. esse tempo não é medido pelo calendário. dura o tempo que durar, que não há receitas para o luto.
mas, ainda que com toda essa bagagem que nos pesa horrores, é importante que sigamos o caminho. as costas podem estar, aqui e ali, um pouco vergadas, mas a cabeça tem de estar sempre no alto. para ver bem longe, distinguir objectivos, olhar no espelho e admirar.
sim, admirar.
admirarmo-nos.
é quase uma verdade de La Palisse, mas é mesmo a única verdade que temos: nós somos, com certeza, a única pessoa que sabemos que estará connosco até ao fim da vida.
por isso, quem não se admira profundamente, é favor de ir trabalhar isso.
porque, doutra forma, não anda cá a fazer nada.

e agora vou ali comprar umas coisinhas que me faltam para a minha viagem.
de sonho, para muitos.
[não era o que eu queria, mas é o que a vida me deu: um sobressalto fodido e uma viagem de sonho. poderei queixar-me? não.]

quando ouço as pessoas armarem-se em superiores dizendo arrogantemente ‘eu cá não tenho facebook, nem blogs nem nada dessa treta’ só me apetece vomitar-lhes em cima!
depois, poupo o vómito e returco com maior arrogância que tenho os dois e gosto muito!

i close my eyes, oh God i think i’m falling…

… será uma sorte!

P 17-08 08,10 LIS
C 17-08 11,40 CDG

P 17-08 13,40 CDG
C 17-08 15,20 BOS

P 17-08 18,00 BOS
C 17-08 20,33 DEN

P 17-08 21,28 DEN
C 17-08 22,25 LAS

sinto-me tão cansada… mas tão cansada…

quando vejo em blogs, ou até mesmo no facebook, citações de textos muito elaborados acerca da natureza humana, das relações, dos sentimentos, fico sempre a pensar se as pessoas citam porque lhes faz sentido e operacionalizam, ou se só pensam que aquilo deve ser o que os outros lhes devem retribuir, achando que consigo está sempre tudo bem.
fico sempre na dúvida… é que depois as pessoas começam a divagar com as suas próprias palavras e a coisa não joga.

… de que, ao contrário do que sempre pensei, aos 50 é que eu estarei uma grande mulher!

os vícios são a nossa muleta nos tempos de embaraço emocional.

imaginem o mar, num dia com ondas.
estão a ver lá longe, onde as primeiras fazem a sua rebentação, que nem chega a fazer-se notar na berma da praia? lá bem longe?
pois… é ainda para além disso que temos de nos fixar em momentos de crise interior. porque é lá que vai aparecer o barco seguro.

não devemos associar as nossas dores às dores dos outros. e pensar que elas serão tratadas todas da mesma forma – com o mesmo sentir e a mesma reacção.
isso poupar-nos-á algumas desilusões e zangas. é que a capacidade de ultrapassar, e até perdoar, é uma coisa própria de cada indivíduo. não tem regras, medidas ou quaisquer outras convenções – só sentimento.

sempre que me faz sentido, gosto de corresponder às expectativas. e isso nem sempre é uma coisa boa.
porque encerra uma exigência de tal modo elevada, que não me liberta para as dores necessárias. [só as necessárias, que eu não sou masoquista!]

detesto gente que faz barulho a fumar, a beber café, a beber água pela garrafa… todos os requisitos que os (e as) meus colegas de trabalho têm!

detesto que me toquem quando estou de braços ao léu!
foda-se!
para me darem meia dúzia de papéis, têm de encostar os braços nojentos nos meus?
que cagalhão!

é costume dizer-se que quem está de fora vê sempre melhor. isso até pode ser verdade, mas depende muito da capacidade de análise de quem está de fora.
e eu tenho a felicidade de conhecer meia dúzia (sim, meia dúzia é um luxo, acreditem!) de pessoas, que estão de fora, e têm essa capacidade de ver melhor. e analisam bem. e estão correctas.
é mesmo muito bom ter gente assim na nossa vida. que nos fazem o contraponto. que nos convidam à reflexão e à crítica. e que, independentemente da nossa decisão, não nos julgam.

pois… é sexta-feira, está calor, daqui a uma semana viajo para os Estados Unidos e a minha colega do lado está, novamente, com um decote que… que!

as pessoas têm liberdade para fazerem tudo o que desejam, inclusive a de assumir as consequências dos seus actos.

pinta-se as unhas dos pés de Barcelona Red da Channel e pronto!

Chorei
Não procurei esconder
Todos viram, fingiram
Pena de mim não precisava
Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava
Um homem de moral
Não fica no chão
Nem quer que mulher
Lhe venha dar a mão
Reconhece a queda
E não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima

[Volta por cima – Jorge Aragão]

não me importava nada que a Margarida Marinho me arranhasse as costas com unhas de gel… mas, pronto!

hoje tentaram convencer-me que é bom ser arranhada (a intensidade acho que depende dos gostos) nas costas com unhas de gel… fonte fidedigna assegurou-me da veracidade da coisa.
[morrer estúpida é uma coisa muito triste]

uns passam com verde. outros com vermelho. uns devagar. outros apressados.

eu, que não sei bem em que lado me situe em relação à fé divina, dou por mim muitas vezes a pensar naquela expressão "quando Deus fecha uma porta, abre sempre uma janela".
isto querendo dizer que, mesmo nas alturas mais críticas, devemos ter sempre um olhar periférico para o que vai acontecendo à nossa volta, em vez de fixarmos só o que nos angustia.
e este meio do ano de 2010, que tantas coisas novas me tem trazido, trouxe-me também alguém com quem consigo manter sintonia nestes infindáveis dias de trabalho.
muito boas, mesmo, estas coisas que nos acontecem.

[sou uma mulher feliz – ainda que pontualmente bastante triste.]

tinha um passarinho que lhe pediu para voar.
abriu a porta e saiu.
a dúvida: será que o passarinho voou?

a minha colega do lado tem um decote que deve deixar os meus colegas de cabeça à banda.
pronto, a mim também!

mal a lua despontou no céu, ainda era de dia, mergulhou nas águas que brilhavam ao fundo da falésia. um mergulho quase perfeito, em apneia prolongada até sentir o peito a doer. soltou o ar pelas narinas, borbulhando lentamente, ao mesmo tempo que deixava o corpo ficar morto e vir à superfície.
acordou na planície, ao som de um rottweiler que se atirava agressivamente ao pescoço de um lobo. ou seria um leão?

como uma cadela sarnenta, arrastou-se contra as paredes, esfregou-se no chão à procura de sangrar a crosta que lhe tapava as feridas. dizem que só depois de fazer sangue a pele ferida regenera completamente. depois ficou ali a lamber as feridas, uma por uma, enquanto lá no alto a lua fazia sua aparição com a luz mais esplendorosa de sempre.

Busque Amor novas artes, novo engenho
para matar-me, e novas esquivanças;
que não pode tirar-me as esperanças,
que mal me tirará o que não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes, nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal que mata e não se vê.

Que dias há que na alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como e dói não sei porquê.

Luis de Camões

que demoram imenso tempo a passar.

… que este dia vai ser muito longo!
pode dever-se ao facto de nem todos os dias se fazer 47 anos.

poucas coisas se comparam a um acordar a meio da noite, olhar-se para o lado e sentir-se de tal forma que se ama quem ali está, que só um abraço acalma esse sentir.

[obrigada, nina, pela inspiração]

… no último dia dos meus 46 anos.

seria bom, melhor, seria aconselhável que esta tarde fosse um bocadinho mais produtiva que a manhã.

Morfeu visitou-me esta noite em forma de tiramisú, que eu degustava lentamente, apreciando deliciada cada pedacinho que entrava na minha boca.

sendo que eu não gosto de tiramisú… onde é que ficamos, hem, Morfeu?
que interpretação acha o meu amigo que hei-de fazer disto, hem?
sim, porque eu sei que isto tem um sentido, escusa de estar a assobiar para o lado.

"Pode alguém ser livre
se outro alguém não é
a corda dum outro
serve-me no pé
nos dois punhos, nas mãos
no pescoço, diz-me:
Pode alguém ser quem não é?"
[Sérgio Godinho]

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

[Luís de Camões]

muitas vezes a única coisa que nos resta é deixar acontecer.
e, depois, no fim, se for caso disso, pegamos nos cacos e tentamos fazer qualquer coisa com eles.
qualquer coisa de novo.

verdade, verdadinha, que quando se fuma muito tem-se menos prisão de ventre.

ontem fui pintar e cortar o cabelo. curiosamente, eu que detesto o tempo que gasto no cabeleireiro, soube-me muito bem tudo. principalmente a parte de lavar o cabelo, deitada numa cadeira que me fazia massagens ao longo das costas. não sei quanto tempo é que a rapariga demorou, mas aquilo pareceu-me uma eternidade. saborosa. acrescente-se que eu adoro tudo o que meta água [já não bastava ser caranguejo, ainda tenho ascendente em peixes. é dose.]
quando chegou a hora de cortar, a conservadora ideia inicial deu lugar a um pedido "quero caracóis, com uma imperial geladinha". ups, não foi assim. foi "quero caracóis e não ter que me preocupar de manhã em fazer o penteado".
quando saí de lá vinha satisfeita com o resultado. mas céptica. como é que a coisa iria correr, comigo a acordar estremunhada, atrasada, a tomar banho a correr, a morrer de calor desejando sair da casa de banho?
pois, tenho a dizer que correu muito bem. o resultado, para além de me agradar, já me valeu uns bons piropos.

[e, piropos, é uma coisa que sabe sempre bem.]

eu já tive oportunidade de disparar uma shotgun… e não disparei. [tão estúpida!]

Deutsche Mannschaft – a minha preferida.

sempre que acontece um Europeu ou um Mundial, nunca tenho uma só equipa preferida. não falo em favoritos, porque isso já há muito se percebeu que pode não dar em nada – a Grécia, em 2004, era tudo menos favorita e foi o que foi (muito à pala do idolatrado Scolari, que conseguiu um feito inigualável de perder, na mesma competição, duas vezes com a mesma equipa, cometendo os mesmos lapsos de análise do adversário).
para além da portuguesa, que está no topo, tenho várias selecções de que gosto: a França, a Itália, a Holanda, a Inglaterra, a Espanha, a Alemanha. também não desgosto da Argentina, um pouco do Brasil. e isto não acontece pelo momento de forma em que elas estão, mas sim por simpatia pessoa, seja pelos países, seja pelos equipamentos, seja por jogadores e ex-jogadores, seja pela língua, etc, etc. o que faz com que raramente fique infeliz com o vitorioso.
neste momento, aliás, desde o primeiro jogo deste Mundial, a minha preferida à vitória é a Alemanha. por todos os motivos mesquinhos que acima referi, mas principalmente porque neste momento são aquilo que melhor representa o que é jogar em equipa e não ter onze jogadores só a jogarem em conjunto. até dou por mim a ficar fascinada com o Schweinsteiger, mesmo depois do que ele ajudou a fazer ao meu pobre Sporting naqueles malfadados jogos com o Bayern.

hoje, espero conseguir ver o jogo todo – ando tão cansada, que receio adormecer mal me sente confortavelmente. tenho gosto que a Alemanha vença. mas se a Espanha estiver melhor, também ficarei contente.

e, embora a minha querida Cristina não acredite, eu não gosto assim tanto de ver futebol.

é impressionante como a qualidade "fascinante" e a característica "desassossegado" se conjugam tão bem…

no melhor pano cai a nódoa.
(o que vale é o supergel)
sou tão desastradinha, senhores!

nunca poderei permitir-me a um grande desgosto de amor, porque tenho alguma dificuldade em ingerir grandes quantidades de álcool.
e um grande desgosto de amor, sem afogar o desespero em álcool, sem o desequilíbrio que ele nos dá, sem a mistura de lágrimas, ranho e baba, não é um grande desgosto de amor, não é nada.

que ninguém se espante se tropeçar numa folha e cair.
se isso acontecer, é porque o corpo já estava em queda há muito e não nos tínhamos dado conta disso.

não era preciso ter visto os jogos da fase de grupos, para perceber que a selecção portuguesa iria cair mais cedo ou mais tarde – dependendo da equipa que encontrasse logo nos oitavos de final. azar que calhou a Espanha. antes assim, porque dessa forma acaba-se de vez com aquele jogo miserável de defender só por defender, sem esperança de que em posse de bola o ataque seja consistente.
nunca achei que tinhamos uma grande equipa. já desde o europeu de 2008 que o digo. mas era um lote de jogadores que, com um treinador de ideias esclarecidos e com alguma argúcia, poderia fazer um bocadinho mais do que fez – e este "fez" vem já da fase de apuramento.
Queiroz (ou será Queirós?) não tem carisma. ouve-se o homem a falar e nada vibra. é um enredado de frases cheias de figuras de estilo que se atrapalham e nunca se percebe exactamente onde é que começa e acaba. eu até gosto de gente que fale um bocadito mais do que o futebolês e, ao contrário de muita gente, não me chega que os jogadores saibam jogar, embora sejam uns broncos a falar. faz-me muita confusão que se trate tão mal a nossa língua. com os treinadores acontece o mesmo. acho que têm obrigação, como qualquer português, de saberem falar correctamente a língua. mas também não é preciso armar ao erudito. o que importa é que a comunicação seja clara, objectiva e entendível ao receptor. ora, ao ouvir o seleccionador nas conferências de imprensa o que se me solta é um imenso bocejo. imagino aquelas palestras para os jogos – ía dizer "de balneário", mas agora as equipas profissionais são muito finas e fazem as palestras nos auditórios. a cabeça do homem deve enredar-se em tamanhas explicações e variáveis que a dada altura já nem ele deve saber como acabar. e depois saem aquelas equipas com jogadores que ninguém entende a sua escolha e as substituições de fazer arrepiar os cabelos ao Telly Savalas!
o que se vê é um conjunto de jogadores perdido no campo, sem confiança para terem a bola no pé, encurralados naquela teia defensiva que demonstra bem o quão inseguro é o treinador. o único que se safou naquele emaranhado foi o Fábio Coentrão, porque é demasiado irreverente. e cagou, sempre que possível, naquela coisa do jogo certinho. e com isso teve tempo para defender bem e atacar sempre que o deixaram – jogos houve em que pareceu que ele era o único que queria ganhar; ou que não teria prestado nenhuma atenção à palestra, para deleite de quem viu os jogos. lamento que com o Cristiano Ronaldo não tivéssemos tido um treinador com ideias bem definidas, com tomates para fazer valer essas mesmas ideias, de forma a potenciar o talento que ele tem, com autoridade. porque um jogador como ele não pode ter liberdade para fazer o que quer – inclusive ser grosseiro e mal educado – porque não tem perfil para aguentar essa pressão fazendo o que é o correcto e, na verdade, a equipa não ganha nada com um jogador assim. porque jogadores assim, talentosos mas imaturos, precisam de uma liderança que se faça sentir. precisam de acreditar. precisam de quem assuma as responsabilidades, que para eles fiquem só as despesas do fazer acontecer. por isso é que, desde o início, achei absurda a ideia dele ser capitão de equipa. para além da ausência de perfil, esse é um fardo que, em vez de motivar, lhe carrega.

mas tudo isto, para mim, se resume a uma coisa: uma equipa depende sempre do seu treinador. um bom treinador pode fazer de uma equipa mediana, uma equipa competitiva, já um treinador mediano, regra geral dá cabo de um bom lote de jogadores. clarinho como água. a liderança é uma coisa lixada, mas é a base de tudo. e um treinador até pode ser bom tacticamente, o que não é o caso de Queiroz (ou será Queirós?), mas se não for um bom líder… mais cedo ou mais tarde, dá bode, como dizem os brasileiros!

felizmente, cada vez gosto menos de ver futebol. que alívio!

não consigo entender a discussão em torno da utilização, ou não, do Cristiano Ronaldo, no jogo de hoje contra o Brasil.
mas por alma de quem é que ele não havia de jogar? ele ou qualquer outro jogador da craveira dele.
mas aquela merda não é um espectáculo pago? não deve ser entendido no sentido de se fazer o melhor para agradar aos milhares que pagam para o ver?
humm…

há dias em que me apanho tão apaixonada…

é muito violento ir à copa buscar um café entre as nove e meia e as dez!

(quantos decibéis debitam as vuvuzelas?)

como se ainda estivesse numa viagem pelos canais, a minha cabeça anda perdida entre emoções e contradições; entre a saudade (eu que detesto este sentir) e a vontade; entre a vontade de ajudar e a incapacidade de me comprometer a sério.

Veneza foi excelente. muito calor. muita água. gelados todos os dias. Harry’s Bar. bellini. Caffè Florian. spritz. massas. pizzas. fontes para refrescar os pés em brasa. Rialto. São Marcos. Murano. Lido. centenas de pontes. pombos kamikaze. asiáticos. orquestras em São Marcos. Ponte dos Suspiros. o labirinto de ruas e canais. andar sem destino e só consultar o mapa quando não se aguenta mais dos pés. sentar nuns degraus de São Marcos e ficar a ver a vida a passar. Basílica. Palácio dos Doges. Campanile. Ponte da Academia. vaporetto. gôndolas.
quando atravessámos a Ponte da Academia reparei que estava cheia de cadeados pendurados. pelos vistos existe um costume de se escrever o nome de duas pessoas no cadeado e depois pendurá-lo lá (embora o tenha visto noutros sítios, ali era onde havia mais).

voltei, portanto. já há semana e meia. mas a cabeça anda vazia.
[falta-me a coragem de assumir que este espaço talvez já não seja o que era, para mim.]

oh my god!! há que séculos!

hoje, às quatro da manhã, imaginei que me estava a sujeitar a um dia muito difícil.
com três horas e meia de sono até que a coisa não está a correr mal.
a cabeça, coitada, está assim a modos que azamboada, não raciocina lá muito rápido, mas de resto está-se bem.

amanhã voamos para a terra onde as ruas são canais.
ainda não fiz a mala. e nem sei muito bem por onde começar, mas pronto…

ficai por cá muito bem!

típico: ouço um colega refilar com a morosidade da DGCI em lhe enviar o mail a confirmar que a sua declaração anual foi aceite, porque demoraram duas semanas a fazê-lo. fala com um ar de enfado moral, o que estiveram eles a fazer este tempo todo (!) para só agora lhe responderem?!
ele, que só faz o que lhe mandam fazer, que não tem espírito organizativo, que não tem iniciativa, que se esquece passadas 24 horas de um assunto que tratou, and so on, and so on

farta, mas tão fartinha, destes cidadãos cheios de espírito crítico e tão pouco autocrítico!
gente de espírito miserável, que espera sempre que sejam os outros a mudar o mundo.

a cabeça pesa-me o universo. uma pressão tremenda nos ouvidos, como se voasse a acima das nuvens.
nada ao acaso, nesta vida. o corpo diz-me: pára. alivia. foge.
estou farta de pessoas. batia na minha chefe com a maior das tranquilidades. ontem alterquei-me feio com uma amiga de décadas.
toda esta intolerância tem explicação para mim: farta de cobardia e de gente que fica estagnada lá atrás e não muda.
mas elas são mesmo assim e não mudarão só porque me incomodam, isso eu sei.
sou eu que tenho de mudar. distanciar-me dos sentimentos que me provocam.
e procurar sentido nisto que sinto – o que talvez não se revela tarefa fácil.
entretanto, vou fugir. vou de férias. para longe, não muito longe, mas longe.

se, ao menos, os meus ouvidos estalassem…

feliz. feliz. feliz.
estou feliz.
sou feliz.
imensamente feliz.

faz hoje seis anos – SEIS – que encontrei a mulher mais fascinante da minha vida.
e todos os dias tenho o privilégio de constatar isso.

o ruído todo que se espalha pela internet em críticas à vinda do Papa e tudo o que lhe está associado, soa-me muito a evangelização – mas com objectivos contrários à dita.
coisa que eu acho absolutamente insuportável.
para quem critica tanto a Igreja pela intolerância, estão a comportar-se exactamente na mesma. e repetem-se, repetem-se, repetem-se, como se não tivessem vida para além dos factos.

estou cá com uma moleza, que nem sei…

procrastinar foi o pai que me ensinou.

ando aqui a pensar que gostaria de ir assistir à missa do bento xis vê i.
[como diz a minha querida Maria, aquele chão vai ficar abençoado para o Arraial Pride]

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todas as fotografias aqui reproduzidas são da autoria de ©Anabela Brito Mendes, excepto se forem identificadas.

acordo ortográfico

não sei como se faz e nem quero saber!

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