por falar em mónicas

toda a gente tem sempre muita coisa para me dizer. como se eu andasse num caminho de vendas nos olhos e só elas vissem a luz – vêem a minha, como eu vejo a dos outros, é básico. por isso, cabeça e ideias fodidas todos temos. a diferença é que eu não o escondo. e mais, trabalho para as resolver, ao contrário de muita gente que fica toda contentinha em recalcar uma data de merdas e debita ensinamentos do alto da sua arrogância.
será que não enxergam a pertinência da coisa? que quando estão a elaborar análises a meu respeito eu poderei fazer o mesmo em relação a elas?
às vezes só me apetece dizer, assim curto e muito grosso: não me fodam, pá! esta merda desta vida é igual para todos. só que uns têm insight e outros não.

eu sei que tenho uma postura e uma atitude muito gaiata, apesar dos meus 47 anos, do tipo andar por cima de muros, dar pontapés nas pedras, sentar-me em qualquer lado sem me preocupar com a roupa.
mas daí até me dizerem que pareço ter trinta e tal anos é mesmo de quem não observa a quantidade de rugas que estão no meu pescoço, por exemplo.

e eu estou particularmente tranquila.

[estive três horas no cabeleireiro. é o que dá serem amigas a porem-nos as mãos na cabeça. demora. muita conversa à mistura. um prazer dos diabos! e um corte bem mais curto do que estava à espera. mas pus-me a jeito.]

a adormecer na cadeira que dá massagens. nem a tradicional conversa de cabeleireiro me sacode. só não me deixo adormecer, porque tenho medo de ressonar!

quando há seis anos decidi abandonar as minhas lides do dirigismo desportivo, houve um treinador do clube que eu representava que me disse:
“nem pense! isto é uma relação para toda a vida! e nem imagina as coisas estranhas que acontecem a quem arrisca quebrá-la!”
caraças!

que eu neste momento ando com um jipe. é que estou, quase permanentemente, com a tracção às quatro rodas ligada.

[nem sei se estou demasiado ligada à terra, se pelo contrário, nunca me liguei o suficiente, de forma a prevenir que agora me sentisse tão a deslizar.]

finalmente hoje vou cortar o cabelo! e pintar.
(se a minha amiga que me põe as mãos no cabelo me dissesse que me ficava bem um corte daqueles curtinho… era já! quer dizer, mais logo.)

em ter a certeza se a experiência nos serve para alguma coisa. melhor, se a experiência me serve para alguma coisa.
na verdade, tudo é novo de cada vez que o experimentamos. melhor, tudo parece novo de cada vez que o experimento.
estou tão fartinha de mim, caraças!

entre o rato e o teclado.
entre a caneta e a lapiseira.
entre a borracha e o agrafador.

[dói-me o pescoço, os tornozelos, a garganta e já agora, gostaria de perceber porque razão acordei com uma tristeza tão grande, que se lhe tivesse dado confiança tinha começado o dia a chorar!]

e futebol.
(sem perceber porque é que o IP3 se chama IP!)

em preparação psicológica para uma deslocação a Tondela amanhã.

(o que ía, mesmo, era qualquer coisa real alcoholic, que está um frio do caneco!)

eu estive para entrar para as mónicas!
(escolhia a bellucci e a marques, mas isto sou eu!)

o que eu gosto de ir à casa de banho e ter um estendal de roupa nos lavatórios, na zona dos toalhetes e em cima do caixote onde os mesmos se depositam! mas que grande cagalhão! de onde raio é que saiu a ideia das pessoas venderem roupa nos locais de trabalho, pá?!

Caranguejo

Your grandiose thinking about a job-related project can put you in the spotlight today, but be ready to scale back your big plans if you meet too much resistance. It isn’t worth depleting your energy to fight against a battle that cannot be won. Nevertheless, this is not about surrendering your dreams. Your current task is to create a path based on compromise without negotiating away your ideals. A solid solution may seem elusive, but persistence will, at least, move you in the right direction.

[voltei ao futebol. seis anos e tal após. durante esse tempo, jamais equacionei o regresso. à semelhança do que tinha sentido quando deixei de jogar, nada havia que me motivasse. achava que tinha concluído mais uma fase da minha vida e que me virava para viver coisas nunca antes vividas. e vivi-as. não consigo encontrar grande explicação para o regresso. foi assim, de repente, numa tarde de sol, há menos de uma semana. cá dentro do meu peito qualquer coisa se pôs em marcha. senti mãos invisíveis a puxarem-me. vozes inaudíveis a sussurrarem-me as palavras, os discursos, os incentivos, as zangas. o meu coração a transbordar de partilha não partilhada. e foi num segundo que decidi, tendo consciência que me aceitariam, obviamente. na verdade, não é bem a coisa do futebol que me fascina. não é a bola a rolar. não é o jogo, embora goste de o observar. o que me fascina é a dimensão humana que por ali anda. as diferentes pessoas. o seu comportamento. os laços que se estabelecem. as gargalhadas que se dão. as lágrimas que se contêm. a fragilidade que se suporta. a emoção. o afecto. eu devia ter tido filhos!]

do you want to know a secret – the beatles

um dia ainda hei-de ter o guilty pleasure de sentir satisfação com uma cena de ciúmes, por significar que gostam de mim.
só para ver como é…

ou como às vezes é tão agradável conhecer pessoas que não conhecíamos.
porque às vezes não é.
isso e, de repente, começar a chover do nada. acham normal?

até houve futebol ontem e tudo. mas é quinta.
e eu tenho a sensação que é segunda. até me apetecia ir à Rute e tudo. para lhe contar como foi bom regressar.

pode significar um bom dia para regressar ao futebol!
enjoy it!

… [pois]!

dava tudo para não ter que passar este inverno.

nunca temos os outros como eles são, temo-los como somos.
e, às vezes, nem mesmo isso acontece.
temo-nos como somos?
ou vemo-nos como uma ilusão?

peguei nos manípulos da escavadora e comecei a revolver terra.

[nota: o que tinha pensado inicialmente era escrever ‘revolver a terra’, mas saiu-me ‘revolver terra’. tão elucidativo, caramba! (às vezes acho que sou demasiado exigente comigo.)]

por aqui está sol, é terça-feira e hoje… é hoje.

… que só devemos dar, quando o que damos é o melhor para nós.
doutra forma, só damos porcaria.

[curiosamente, a história repete-se na minha vida. só que, passados 14 anos, eu sou tão outra pessoa. tão mais pessoa. e ser-se mais pessoa é uma coisa muito boa.]

há quem goste de aparecer na glória. não vai lá fazer nada, a não ser alimentar-se egoistamente de um prazer para o qual não contribuiu minimamente. mas é frequente vê-los aparecer, dar palmadinhas nas costas, distribuir sorrisos, oferecer intimidades – haverá coisa mais íntima do que participar em grupo o prazer da conquista?
depois há os outros. aqueles que tendo a sua relação conciliada, se oferecem para partilhar as feridas, para participar das feridas. não por masoquismo, mas por convicção de que as feridas partilhadas saram mais depressa. 

[estou prestes a reviver um amor antigo. a voltar a um sítio onde fui feliz. e diz-se que não se deve voltar a um sítio onde já se foi feliz. deve. se já tivermos conciliado o que vivemos, se já formos outras, se olharmos para ele com os olhos de hoje e não os de ontem. não é fácil. para mim tiveram de passar seis anos. although… butterflies are in my belly.]

agora lembrei-me de mudar o nome do blog para reviravolta.
também me assentava bem.
reviraVoLtA (não gosto)
reviravOlTa (melhor)
ReviravOlTa (olha que não ficava mal)
pois é, mas isso é se eu fosse uma troca tintas e isso eu não sou! jamais trocaria o nome do meu bloguinho lindo!
(alguém que me tire este portátil das mãos, que isto está a ficar descontrolado!)

apesar do futebol, que até foi bem jogado e tal, e foi para isso que vim a casa da minha amiga, que diz que para todas as situações na vida o Roberto Carlos tem uma canção.
então, temperada com bebida qb (eu já perdi a conta, admito, mas isso é sinal de que estou feliz, porque eu quando estou triste não bebo) a noite está a terminar, invariavelmente, com Roberto Carlos. eu como sou de ideias fixas e repetidas, só quero ouvir: emoções, debaixo dos caracóis dos seus cabelos, detalhes e, pronto, lady laura.
curioso, curioso, foi em s. francisco ter entrado numa loja de chineses, estar a tocar a lady laura e o chinês a cantar. eu perguntei-lhe se falava português, ele disse que não, mas que gostava muito daquela música.
pronto, agora estou a ouvir o emoções. estas noites em mafra são lindas!
(e eu acho que estou um bocado com os copos)

… faz colheres de pau.

que é muitíssimo terapêutico! só se ouve a água, as gaivotas e um barco ou outro. e a pessoa em silêncio, acompanhada de si, com tempo só para si. muito bom.
pronto, só me faria espécie ter de tirar o peixe do anzol, mas sempre posso armar a linha só com a chumbada.

eu vou ali tirar umas fotos. devia arrumar a casa, mas quero mesmo é que a casa se lixe.

desejava que o o natal passasse por mim como cão por vinha vindimada, capice?
tipo, risco ao lado, mesmo. não se incomode, siga, siga. e rápido, se faz favor. muito rápido.

[interessante, espantoso mesmo, admirável até, que este blog tenha sido tomado de assalto pelo seu progenitor que mora no blogger, e se manifeste com os mesmos sentimentos que estiveram na sua génese, mas sete anos após. se isto não é ser burra, se isto não é regredir, se isto não é uma coisa perfeitamente idiota, com tantas horas de terapia que já fiz, não sei o que será! minha rica mãezinha, se não fosse já tão tarde, dava-te umas palmadas, juro que dava! oh… não dava nada, deixa lá. eu resolvo isto.]

porque razão a sensação do dever cumprido nos aparece, sempre, como uma coisa gratificante? é dever…
o que devíamos exaltar, sempre, é a sensação do prazer sentido!

daqui a pouco vou encontrar-me com um colega da primária, que da última vez que nos vimos tinhamos ambos onze anos e estávamos a mais de seis mil quilómetros daqui.
vai ser tão bom…!

aqui na tasca homens e mulheres têm a mesma postura consumista. a diferença é que elas falam de acessórios, sapatos, roupas e malas, e eles de carros, consolas, jogos. mas eles falam com o mesmo fervor. coisa que tanto criticam nelas.

tranquilo.
como se estivesse à beira do Açude de Pai Viegas, numa manhã de Agosto, a atirar seixos para a água límpida.

à maioria dos humoristas. e vê-los, ou ouvi-los, a fazer publicidade ainda menos. alguns dão-me cá uma urticária…
(e não, não achava piadinha nenhuma ao conversa da treta)

acima de tudo, é importante saber distinguir as coisas do barulho que elas fazem.
(adaptação livre de uma citação de Séneca)

eu tenho uma amiga com uma lareira muito fixe, com imensa lenha para arder, uns gins tónicos muito bem preparados, um elevador avariado, mas até faz bem subir escadas – fortalece os glúteos.
tudo muito bem conjugado para se ver jogos de futebol.
isto era eu aqui a divagar, claro!
(Marquesa, não apareces para me ajudar?)

[a malta não tem sistema, entretém-se a brincar com os bonecos. já estive mais longe de ser internada!]

se eu conseguisse sentar-me à minha frente, do mesmo modo em que às vezes me sento à frente dos outros, levava cá uma rabecada que nem sabia de que terra era!

[ai menina, não mexas essa cabecinha rapidamente, não, que não é preciso.]

actualização:
o que eu havia de me debruçar era na razão porque em vez de escrever “levava uma rabecada” não escrevi “dava-me uma rabecada”.
ai tanto acto falhado, senhores!

trânsito que não se pode, sono que passa o limite do razoável e subir no elevador com o chefe máximo. manhã de uma quarta-feira cinzenta com temperaturas a rondar os 13 graus.

embora a vontade não seja nenhuma. está um frio que não se pode. o balneário está um gelo. são quase nove horas e eu, em vez de me equipar, estou a escrever um post. se tivesse jeito para mentir, dizia que me tinha esquecido de qualquer coisa. mas não esqueci. bem, talvez seja melhor despachar-me… não tarda vou ouvir. e isso é que não, que eu sou muito sensível…

era de ter um blog onde pudesse escrever à mão.

às vezes é tão difícil deixar entrar. andamos feitos loucos à procura de casa, mas não aceitamos o que se nos depara. quando finalmente o fazemos é como se voltássemos ao quente do líquido amniótico. ficamos e sentimos o lar. mesmo quando um dia ele tem fim, fingimos que nada se passa. resistimos a apagar, como antes tínhamos resistido a deixar entrar. e nesse carrossel, para cima e para baixo, vivem-se dias desesperados de angústia, de busca, de redenção.
mas já nada lá está, como estava.  
e sabemos.
mas não aceitamos.

ontem, perante a minha afirmação ‘quem cala, consente’, responderam-me uma coisa que nunca tinha pensado, mas que me faz todo o sentido no momento: ‘quem cala, reflecte’.

a minha querida mãe trata-me, aos 47 anos, como uma inapta para tomar conta de coisas básicas.
o pior disso tudo é que eu aceito o tratamento e sempre que possível ponho-o em prática.
ai, que cagalhão, gosto tanto de viver comigo dentro de mim!

… dei-me uma tareia, vai lá, vai!

[eu sei que estás triste. eu sei que já não estavas à espera destas mudanças. eu sei que te proteges – tão bem. como sempre o fizeste e conseguiste-o de forma brilhante. eu ainda estou a apalpar o terreno que essa proteccção me deixou. ainda não sei bem o que fazer com isso, mas vou aprender. eu sei que estás triste. eu também estou. mas não me carregues mais com isso. mais do que já carregaste nestes quarenta e sete anos da minha vida. não me faças sentir responsável pelo que sentes – estou farta de sentir isso, contigo, com toda a gente. como raio me ponho tanto a jeito para essa merda? na verdade, eu quero mesmo é cagar para aquilo que sentem por mim.]

tenho tanta coisa para escrever…

… é que há sempre alguém disposto a divertir-me!
o meu telemóvel tocou com um número que eu não conhecia. sou uma alma generosa e atendo toda a gente.
estou? disse eu com voz meio sumida
está? quem fala? responde-me uma voz de homem, com sotaque alentejano ou coisa assim.
com quem deseja falar? disse eu ao senhor, muito pacientemente.
oh! responde o homem com enfado. eu queria falar com a minha senhora, mas já vi que não é.
pois, pois não!

começo a semana com uma angústia no peito, que não sei para onde vai nem para que serve…

nem domingo sem missa.

há 7 anos que acontece na minha vida esta coisa que se chama mEiA vOlTa e…
o prazer continua, o caminho também.
um brinde muito especial a quem me tem acompanhado neste percurso.

escolher o sítio para jantar.

[Jovem Su, por onde andas tu, minha menina, que te sinto a falta?]

em menos de uma hora já bebi 66 cl de água e 2 cafés!
e não, não me alcoolizei ontem à noite.
aliás, eu nunca me alcoolizo. sou uma fraquitolas, que tristeza!

“all the letters in the sand cannot heal me like your hand
for my life
still ahead
pity me”
(’39)

“i feel like dancing – in the rain,
all i need is a volunteer”
(Seaside Rendez-Vous)

“take care of those you call your own
and keep Good Company”
(Good Company)

“anyway the wind blows”
(Bohemian Rhapsody)

correio

meiavolta(at)gmail(dot)com

fotografias

todas as fotografias aqui reproduzidas são da autoria de ©Anabela Brito Mendes, excepto se forem identificadas.

acordo ortográfico

não sei como se faz e nem quero saber!

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