a minha Rute passa a vida a pronunciar a palavra abandono.
não sei o que se passa com ela, ‘tadita.
mas, quando descobrir, juro que hei-de escrever um post mesmo à maneira sobre isso.

Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria –
por mais amarga.

Eugénio de Andrade, in “Coração do dia”

para ti. pelo maravilhoso partilhar de um serão, que foi uma autêntica viagem.

ouvir alguém falar em amor incondicional!
se for alguma mãe, então, ainda é mais hilariante…

essa puta que se disfarça da forma mais sofisticada possível só para não darmos conta dela! até…


(la madrague – brigitte bardot)

a banda sonora que me acompanhou na marginal.
linda e a deixar-me uma sensação de leveza, que é tudo o que eu preciso.
de levitar. de voar.


(clicar na imagem para aumentar)

mas que excelente programa! mas isto sou eu que sou suspeita e adoro a Sofia e o Tomás.
é uma iniciativa da Associação Castelo d’If e podem ver o programa completo aqui, que eu tenho que ir trabalhar.

bom dia.
(hoje foi muito difícil reunir as tropas)

recebo um mail que me diz “Tenho uma proposta para seu blog que acredito ser relevante para você.”
ahahahah! como se eu, dentro do meu pedantismo bloguístico, desse hipótese a alguém para me fazer propostas relevantes sobre o meu blog!
por.amor.da.santa, senhor, poupe o seu precioso tempo.
e, além disso, nunca aceitaria uma proposta que me dissesse “para você”. “para si” seria o mínimo, embora “para a senhora” é que era.

[estou tão fartinha de aqui estar…]

herdei da minha querida mãe a capacidade para, em momentos de crise alheia, ser extremamente analítica e focada.
como se encostasse o meu mais verdadeiro eu a um canto e desatasse a fazer coisas, com uma objectividade ausente de emoção que me surpreende. tudo aquilo que no dia a dia me custa fazer, faço-o com uma habilidade e rapidez impressionantes.
claro que nada disto é muito transcendente. e é logicamente explicável. defendo-me até à quinta casa e levo tudo à frente.
mas, o que provoca na ressaca, não é uma coisa fácil. deixa-me esgotada. tão esgotada que fico à beira do choro por tudo e por nada. uma tristeza, é o que é!

socoooorro!
tirem-me daqui. queimem todos estes papéis. arranquem os cabos dos servidores.

[il faudra bien que je retrouve ma raison
mon insouciance, et mes énormes joies]

aguardamos.

hoje bati no mais fundo que me quero permitir bater.
o que me peço é discernimento. coragem. alternativa.
assumpção.

[tenho de arrumar a minha casa. tenho de deitar coisas fora, que guardo por desleixo há imenso tempo. tenho de pôr o smart na revisão. tenho de ir comprar gás. tenho de lavar roupa.]

wide.
open.
spread.
fly.
high.

upside down

devo ter imaginado a molha que apanhei ontem à noite. deve mesmo ter sido uma ilusão.
(grande noite no pirex. não. no pirex estava o empadão. grande noite, sim, mas foi ao balcão do Purex!)

tenho de ir ver o mar.
ora pro nobis.

era dormir uma sesta para a tarde passar mais depressa!

o desvario que por aí vai por causa do concerto do Bon Jovi!
por.amor.da.santa!

está um dia cheio de cores.
eu estou muito, muito atrasada.
o trânsito está excelente.
[Deus é grande]

comer duas fatias de pizza acompanhada ao telefone pela minha Prima Mente (hei-de colocar já com link para aquele que era o melhor blog de todos sobre a temática lgbt) que navegava no mEiA vOlTa em modo blogspot – portanto, no tempo em que os animais falavam. eu a rir às gargalhadas de um lado, ela do outro, enquanto lia alto os posts e, o melhor de tudo, os comentários. foi hilariante relembrar o quanto nos divertíamos naquelas caixas de comentários! foi quase uma hora de puro entretenimento. muito, muito bom!

fora eu capaz de conter o entusiamo, dominar a ira e fazer crescer a criança e teria uma voz que me agradaria imenso!
plena de charme, segura, tranquila e no tom correcto.
[acabei de a ouvir, quando falava com o director dos recursos humanos. e achei-a fascinante porque ausente de objectivo. que é quando a coisa é mais válida. ]

(o vídeo foi-se…)

zouk la se cel médicament nou ni – Kassav

tenho saudades de ler Eugénio de Andrade.

[joana, pega na prancha que hoje está bom.]

não sei porque vindes aqui diariamente, há dias em que isto até a mim custa a fazer sentido, mas sinto-me profundamente agradecida.

ou como eu adoro este poema:

Ah, quanta vez, na hora suave
Em que me esqueço,
Vejo passar um voo de ave
E me entristeço!

Porque é ligeiro, leve, certo
No ar de amavio?
Porque vai sob o céu aberto
Sem um desvio?

Porque ter asas simboliza
A liberdade
Que a vida nega e a alma precisa?
Sei que me invade

Um horror de me ter que cobre
Como uma cheia
Meu coração, e entorna sobre
Minha alma alheia

Um desejo, não de ser ave,
Mas de poder
Ter não sei quê do voo suave
Dentro em meu ser.

Fernando Pessoa


não sei quantas vezes já o publiquei, nestes quase sete anos.
agora vai com uma dedicatória especial para a APG.

saio da copa, de café na mão, e ainda a ouvir uma conversa surreal sobre sacudir as migalhas da toalha de mesa janela abaixo, para cima da roupa da vizinha de baixo, que reclama mas sem razão nenhuma, porque as migalhas são pão e não estão sujas e, e, e,e, e, e,e, e, eeeeeeeeeeeeeeee…

e eu volto atrás, ali aquele momento em que hoje na marginal vi as gaivotas alinhadas no muro do clube naval de paço d’arcos e na praia da cruz quebrada, e penso que a vida seria bem mais simples se eu fosse uma gaivota. era manhã, o sol espreitava envergonhado e eu só teria de ficar ali alinhada com as minhas irmãs. a brisa a afagar-me as penas do pescoço e o odor da maresia a entrar-me pelos orifícios respiratórios.

eu que sou tão efusiva a demonstrar afecto pelas minhas pessoas, há uma de quem gosto tanto, que me faz tão bem e eu sou incapaz de lho dizer de outra forma que não seja a mais formal possível.
vá lá… já a beijo quando a encontro!

… o mundo pula e avança
 como uma bola de algodão
que está a cair no chão.

não é que tenha abandonado as obras. quer dizer, pensando bem, eu ainda não comecei as obras.
[por isso é que tenho esta sensação de que as abandonei.]
abandonei.
não abandonei.
abandonei.
deixei-me abandonar.
abandonadora.
abandonada.
a banda.
nada.
de nada.
mande sempre!

em achar que vou treinar logo à noite, quando nem consigo levantar-me em condições da cadeira.

de resto, nós por cá todos bem!

a sair de casa, ainda nem sequer vi a marginal, e já está a dar “o amor é” na antena 1.
a que horas é que eu entro, mesmo?

sou um bocado comichosa, admito, mas não tenho pachorra para eufemismos palermas.
tipo, chamar primas às lésbicas, dizer o nosso menino quando se referem ao cão ou ao gato, etc e tal.
isto tudo porque me lembrei de uma coisa, que é recorrente ser utilizada. acho que algures no tempo passado houve uma psicoterapeuta ou coisa assim que era a drª rute. e há quem se refira à sua psicoterapeuta como tal.
pois, era mesmo só para dizer que a minha se chama mesmo Rute.

Ismael Lo – Tajabone
do filme Tudo sobre a minha mãe

há tanto tempo que não ouvia isto. nem sei se algum dia ouvi, que não fosse a ver o filme.
não sei bem dizer a razão, mas esta é uma música que mexe comigo. e disso só me dei conta ontem quando, inesperadamente, a ouvi em cd.
não faço ideia do que diz o cavalheiro e, na verdade, nem estou muito preocupada.
mas acho-a misteriosa, inquietante, mas de uma inquietação tranquila, se é que isso pode existir.
e que dá um prazer imenso.

uma imensidão de gotas que se juntam e transformam o acaso, o imprevisto, em consolidado.

que não ando nada a fim de real life.

o efeito

“quem olha para fora, sonha, quem olha para dentro, desperta.” carl jung 

todas as segundas, a minha querida Rute, tão fofinha, tão querida, me diz isso. não com aquelas palavras, mas o sentido é o mesmo.
diz-me ela, a aNa vira-se para o exterior e entristece, já reparou?
na última sessão respondi-lhe: e a Rute a dar-lhe!
tive sorte em ela não me retorquir: e a burra a fugir!

… mas não me acreditam!

chego ao trabalho, depois de ter estado dois dias ausente.
sorrio para os meus colegas, quando me perguntam se estou melhor, e digo que sim. o que me provoca um ataque de tosse cavernoso!
estive à beira de ser jogada janela fora – ainda são uns três andares, acho que não ficava muito bem tratada.

até eu e um gato estabelecermos uma relação amigável!

por acaso já tropeçaram num concurso de beleza para crianças, crianças meninas, que passa no travel & living e se chama, salvo erro, toodles & tiaras?
até me dá vómitos! aquilo é do mais aberrante que existe, roça a pornografia. como é que aquelas mães retiram assim a infância às filhas, como é que se projectam assim nas filhas, e mais, como é que aquilo é permitido? como é que não há leis que o proibam de acontecer, e ainda ser filmado e transformado num quase reality show!
já nem falo na cabeça de quem elabora e põe em prática uma coisa destas. é de ter medo, muito medo. pedofilia, portanto, é só quando há a prática do abuso sexual, não é? pois… e a isto dá-se o nome de quê?

há 3 anos fui a uma senhora que lê as mãos (a gripe toma-me conta dos neurónios, verdade! sinto-me atrofiada em coisas nojentas que demoram a sair de cá de dentro. e isto não é metafórico, mas também poderia ser. aliás, isto tudo – herpes, gripe – não passa de uma manifestação física do resto.).
e a dita senhora, de seu nome Dara, suponho que nome artístico (só não montei barraquinha na feira esotérica porque não consegui descobrir um nome artístico que fosse suficientemente credível e apelativo para a minha arte de pendular), disse-me uma série de coisas que eram verdade e atirou-me com uma a concretizar-se a curto prazo e que envolvia uma mulher com um filho. eu ri-me claro. mas o que é verdade é que, de vez em quando, surgem na minha vida mulheres com um filho.
mas, na verdade, isto é só uma constatação. estar em casa sem nada para fazer e com um blog para alimentar potencia-nos o delírio.
[já estive mais sã do que estou agora e admito que me sentia bem mais feliz]

já estou como diz a minha Prima, se o que conta é o nosso interior… eu neste momento estou pelas ruas da amargura com as coisas que me saem de dentro!

para além da dor de cabeça, garganta, uma tosse demoníaca, expectoração nojenta, fiquei sem paladar e sem olfacto!

que passei pelas brasas ainda agora…
enquanto procurava o código do iva de regularizações de outros bens e serviços a 20% – não acham que vos aconteceria o mesmo? lá está…!

… sinto-me doente!

hem, Morfeu?!
por todo este carrossel onde me enfiaste esta noite!
és um amigo e peras…

iluminações de natal a 30 de outubro?
mas esta gente passa-se?

a água em Santo Amaro está tão castanha que parece de rio. será que se apanham enguias?

este fim de semana vai ter mais um dia e mais uma hora.
olaré!

alguém aqui veio dar com a pesquisa “deixa de ser sogra”.
wrong!!
o que eu preciso é de deixar de ser mãe.
como eu já aqui escrevi nem sei quando, é uma coisa que se entranha, tipo subcutânea e custa a sair pra caraças!
[escusai comentários do tipo eu adoro a minha mãe, é a melhor mãe do mundo, blá, blá, blá. eu também, ok? so what? isso cega-me? não!]

não é que está a anoitecer e ainda são só dez e pouco da manhã?

… de feira esotérica, não está?

como este mês estou um bocado curta de finanças, acho que ainda vou pegar no meu pêndulo e alugar um metro quadrado na Feira Esotérica!
(agora vou ali estudar o preço das consultas)

foi leve como uma brisa. de repente, já nem sabia se tinha acontecido ou não.
paredes brancas, uma hera que despertava ao canto, e o impulso do prazer.
roubei sem culpa, de sacanagem mesmo. admirei o teu sorriso. o brilho que saía dos teus dentes.
afastei-me, assim, com o sabor do desejo ainda instalado, promessa contidas, murmúrios calados, só a sentir…
estou à espera de ser presa.
é justo que pague uma pena.

acabadinha de ouvir aqui na tasca:
“esses gajos das farmaceuticas são dos que mais asno me metem!”
e não, não foi intencional.

(…) De todas as maneiras, se puder escolher, escolho que me aceites para ficar, escolho aceitar-te e ter-te perto, tão perto como agora… (…)
Cartas para Cláudia, Jorge Bucay

… e amanhã começa a Feira Esotérica de Oeiras. olaré!

… por o espelho da alma serem os olhos e não a cara: da forma como a minha está, como se tivesse sido atropelada por um tsunami, eu estaria boa para ir ao psiquiatra, não à psicoterapeuta!

[há um caminho para percorrer. de nada adianta procurar atalhos. não resulta. quanto mais rápida for a decisão de aceitar fazê-lo, aceitar de coração mesmo, mais profícuo será o resultado.]

não está nem nos livros a quantidade de entulho que uma gaja guarda!
e deitar isso tudo fora? está bem, está!…

“They say, ‘Talking to yourself is the first sign of madness.’ Actually, it’s the other way around. It is the people who DON’T talk to themselves who we probably ought to be worried about. If you don’t talk to yourself, how can you understand yourself? If you can’t get along well with yourself – how on earth are you ever going to get along well with anyone else? Have more deeply personal conversations today. Speak to the smartest person you know… the one you meet in the mirror! You’ll soon make sense of what seems so silly.”

obrigada.

… acordar e levantar-me não foi uma experiência assim tão má!
bom dia.

‘o semba minha nobre confissão…’

se eu me atirasse agora à água, conseguiria lá chegar antes dele desaparecer?

… se eu não me sentisse tão em baixo (sem saber porque razão me sinto assim), tão fisicamente fragilizada, a coisa corresse um bocadinho melhor!

“o Roberto Carlos tem uma música para todas as situações da nossa vida.” (sic)

à conta disso, são duas e picos da manhã e com a respectiva banda sonora: eu esticada no sofá a lontrar, a Maria trabalha no portátil e as outras duas conversam no terraço. o que toca? emoções.
‘e o importante é que emoções eu vivi…’
[eu gosto mesmo muito das minhas amigas]

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todas as fotografias aqui reproduzidas são da autoria de ©Anabela Brito Mendes, excepto se forem identificadas.

acordo ortográfico

não sei como se faz e nem quero saber!

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