tão ridículas e pirosas aquelas moças que trazem as bolas e depois ficam ali ao lado dos árbitros na escolha de campo. as figuras a que estas gajas se prestam! limpar latrinas é que era!
roupa para dobrar, portátil ligado e tv no jogo.
já estou contente: o Adrien vai jogar!
até… vamos ver.
um colega meu acabou de dizer uma muito interessante: se o slb não ganha hoje, arrisca-se a não conquistar nada este ano.
nós, os sportinguistas, temos cá um sentido de humor que vai lá, vai!
“porque é que não escreves um livro?” perguntou-me ela, enquanto faziamos tempo para ir jantar. porquê? porque, talento ou ausência dele à parte, que não cabe a mim avaliar, há uma coisa que me impede, sequer, de começar: a minha auto-censura. que é enorme, embora não pareça. porque, se algum dia o fizesse, tudo seria arrancado de mim, porque tenho imensa dificuldade em ficcionar. daí que… talvez um dia.
quanto, do que dizemos, fica na cabeça dos que nos ouvem e quanto, retemos nós, daquilo que nos dizem?
… como eu detesto gente que tem o som do telemóvel no máximo.

as sereias revisitando as raizes

nascer do 2010 na Baía Azul
… a coisa até correu bem – deu tudo certinho à primeira. não houve ataque de fúria e o blog continua intacto.
agora, tenho aqui uma dor na lombar, que não vos digo nem vos conto. e não, não foi por uma inovação qualquer na prática sexual. foi mesmo por uma coisa bem mais tosca – fui abalroada no jogo da bola, na terça-feira, e mandei um espalho de todo o tamanho! estou a ficar velha…
(bem… e o sporting, pá? que cena!!)
… e não encontrarem nada, é porque fiquei louca com os cerca de duzentos movimentos que vou ter de picar com um cheque e a coisa não correu bem e destruí o blog!
[na verdade, com a ausência que tenho tido, mais valia ir de vez, mas gosto de cá andar. a cabeça é que deve estar a ficar oca, que não se me ocorre nada.]
duas semanas de férias, longe do nosso habitat, podem ser o suficiente para nos chatearmos com amigos e descobrirmos coisas que nos fazem dizer "férias com ele/a nunca mais!".
o inverso, também é verdadeiro. duas semanas no calor, a partilhar transporte, quarto, paisagens, às vezes é o necessário para que haja um clique e se crie uma empatia que vem de dentro, que nos faz rir, gozar com os outros, connosco e, principalmente, nos faz descobrir coisas que guardamos na nossa memória – o que só acontece com os que nos são verdadeiramente importantes.
[Lisa, a luta…]
faz hoje 65 anos que o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau foi libertado.
em 2003 estive em Buchenwald. vinha de Praga de carro e decidimos fazer um desvio para pisar o chão onde milhares tinham sucumbido.
é uma experiência inquietante. ainda tirei algumas fotos, mas a dada altura não consegui continuar. senti que estava a entrar demasiado na intimidade dos mortos que ali tinham ficado. das famílias que a eles sobreviveram. embora, não fora outros terem fotografado e não teríamos ideia do que lá se passou.
não imagino sequer o que será viver experiência semelhante. acho sempre que não aguentaria aquelas condições – físicas e, talvez as mais importantes, psicológicas. a humilhação de haver quem se considere superior e, à conta disso, extermine.
infelizmente, ainda decorrem situações semelhantes por esse mundo fora. o Ruanda foi bem exemplo disso.
e outras, que não se revelam pela violência física, mas que vão restringindo aos poucos a liberdade de sermos o que somos.
na volta, não seremos tão livres quanto julguemos.
talvez só tenhamos mesmo esta: "Tudo pode ser retirado de um homem, menos a últimas das suas liberdades – escolher de que maneira vaiagir diante das circunstâncias do destino." curiosamente, foi dita por Viktor Frankl, psiquiatra austríaco, judeu, sobrevivente do holocausto.
saber-me bem o ar frio que apanho, quando saio do carro para ir à pastelaria comprar o pequeno-almoço.
o chato, desta coisa de ter de ir para o dentista, é que se está ali uma data de tempo sem fazer um corno. estou a ler um livro bué interessante e que dava um avanço do caraças naquela hora e meia que hoje tenho pela frente, não fora o dentista estar sempre a passar com coisas pela frente da cara e dos olhos e o raio!
[quando é que inventam uns óculos cujas lentes projectem um filme, para uma pessoa se entreter nestas situações?]

puto brincando com arco na Catumbela.
(eu recuei trinta e tal anos e revi-me nas ruas do, hoje, Menongue)
não consigo sentir-me atingida por grandes movimentos solidários, nem ficar profundamente triste com a desgraça que acontece a milhares de quilómetros de mim.
a ser sensível, sê-lo-ei a pequenos gestos que possam fazer a diferença de uma forma directa e mais controlada. talvez a comparação não seja a melhor, mas penso que dá para perceber o sentido: acho que consigo maior efeito de aceitação na minha acção directa com pessoas, do que em manifestações rua abaixo.
portanto, não sou daquelas pessoas que se mostra muito solícita com a desgraça alheia – aquela que dá imenso nas vistas e ocupa noite e dia os canais de informação – não escrevo muito sobre isso e não sinto como que uma obrigação em contribuir. lamento, mas não choro, nem me comovo com todos os mortos que desgraçadamente caiem todos os dias.
mas, sou incapaz de tratar mal as pessoas, de as ‘atropelar’ quando saio do elevador, de não respeitar a ordem de espera, de não dizer por favor e obrigada, e – chegamos ao que me fez lembrar de escrever este post – de estacionar o carro em lugares reservados a deficientes.
há coisas que me encanitam e essa é uma delas. é mais fácil aparecer na televisão e nas revistas a dizer que se está muito solidário com os desgraçados deste mundo, fazer festas e merdas assim para angariar fundos, e apaziguar consciências, mas o lugarito reservado, ali mesmo ao lado da pastelaria, não interessa nada!
[é impressionante a parecença entre a Felipa Garnel e a psicóloga Isabel Leal]
vinha eu no trânsito, pensando que logo tenho consulta na ginecologista e de seguida (se ela não se atrasar) vou ao lançamento do livro da Isabela para lhe dar um beijinho e… "sá pinto já não é director desportivo do sporting, blá blá blá…" tipo pegou-se ao estalo com o liedson.
espectáculo. quando tudo parece acalmar-se… é o sporting no seu melhor!
ainda demorará quantas gerações, até os homens deixarem de achar que à porrada é que é?

o rio Cuporolo

o jacaré no Cuporolo

embondeiro grandioso no Chongoroi

final de dia no Chongoroi

[Baía Azul – 01.01.2010 – 06:04am]
cumprimentando o mar, antes do primeiro sono do ano.
o treinador do mafra deve passar os dias a ver fotos do jorge jesus para lhe copiar o estilo. até a falar é igualzinho.
[o tonto do vukcevic, se tivesse um bocadinho de cérebro, seria um jogador espectacular! assim…]

[Baía Azul – Benguela – Dez/09]
crianças desfrutando da praia. eu fotografando. a vida a passar lenta e quente.
… que ando aqui a pensar nisto:
– miúda, o melhor que nos podia ter acontecido, a mim e a ti, foi termo-nos encontrado. quase seis anos depois e estou cada vez mais certa disso.
mas a coisa não está fácil. podia alegar que tinha ficado com os neurónios congelados, devido ao choque térmico sofrido aquando o regresso da banda. mas isso soaria a treta, já que antes também andava em défice de produção bloguística.
ainda assim, sempre posso dizer que ontem vi, com muita satisfação, a (minha) selecção angolana ganhar ao Malawi. se futebol fosse só ataque, o futebol africano reinava. adoro ver aqueles gajos a correrem que nem uns desalmados em direcção às balizas adversárias, com pernas que parecem nunca mais acabar. grande golo de Manucho.
entretanto, resolvi que o mês de janeiro seria o mês da revisão ao corpo. tirando o dentista, que já estava destinado, marquei consulta para a médica das doenças de mulheres e respectivos exames de diagnóstico. isto deve andar mesmo mal de finanças, porque tenho consulta na segunda à tarde, mamografia terça de manhã e ecografia terça à tarde. foi atar e pôr ao fumeiro, caneco!
também podia acrescentar que, as facturas que tenho em cima da secretária, nunca mais desaparecem. mas isso não interessa nada.
sempre a bumbarê, que a vida vai melhrorarê!
já o sporting tinha marcado o primeiro golo e eu ainda tinha a beiça dormente!
nem imaginam a minha figura para comer uma mera papa cérelac. o que me valeu foi estar distraída com a figura ridícula dos treinadores do guimarães e benfica – chovia copiosamente (gosto desta palavra), início de jogo, e já aquelas duas aves raras estavam fora do banco a mandar bujardas para dentro de campo. malucos, é o que é!
a grande trampa é eu estar de abalada para o dentista e pensar que, apesar de ele me dizer que a anestesia "passa já daqui a pouco", há-de estar a começar o sporting* e eu de boca ao lado, a tentar beber qualquer coisa e a babar-me que nem uma tramelégica!
já para não falar da dor no pescoço…
* que começa às 21:15
de regresso, com um bronze bem jeitoso, para o frio e chuva. parece-me bem – o equilíbrio é uma coisa importante na vida das pessoas.
ao fim de 34 anos, voltei a tomar banho no mar, no primeiro dia do ano. isto é tão extraordinário, como tomar banho de mar no último dia do ano – coisa que também fiz.
ao fim de 6, voltei a passar em frente à minha casa de miúda e perto da minha escola primária.
comi imensas mangas, mamão, abacaxi. vi um jacaré no rio Cuporolo, quando ele passa tranquilamente ali ao lado do Dombe Grande.
vi o por do sol no alto do morro da Macaca, ali a sul da Baía Farta.
senti o carinho da família. ouvi imensa música de que gosto.
e… no dia 8, ao meio da tarde, fui pedida em casamento, com o mar da Baía Azul ali mesmo, mesmo à nossa frente.
queixar mais do quê, então?
[obrigada a todos os que aqui passaram e deixaram essas palavras simpáticas, que por aí abaixo se podem ler. e aos que passaram e não deixaram, também. bom ano para todos!]
num instante passa o Natal e os presentes e tudo isso! tudo tão num instante que nem consegui responder a mensagens e emails! obrigada a todos os que o fizeram!
neste momento estou no aeroporto para voar até Angola. fantástico é como sei que será! passagem do ano na Baía Azul… ficai por cá muito bem!
não fora o imaginar-me de hoje a uma semana a percorrer a estrada Luanda-Benguela, a caminho de casa da família, e não sei se aguentava a água que me escorre pelo nariz sem ter tempo de pegar num lenço para me assoar, os espirros que já dei, os olhos que choram e esta puta desta diferença que tenho aqui e não consigo descortinar o porquê, caraças!!
e mais, estou mesmo boa para ir ao cabeleireiro às sete, estou, estou!
jamais seria considerada a dona de casa ideal: só a ideia de palha de aço me arrepia toda, quanto mais ter que agarrar na coisa e esfregar vigorosamente… tachos, panelas, púcaros, sei lá!
acabei de receber uma mensagem a dizer que o projecto-lei, sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, acabou de ser aprovado em conselho de ministros.
em janeiro haverá a votação na assembleia.
ora bem, gozemos tranquilamente esta época de festas e preparemo-nos para a guerra dos ressabiados no início do novo ano.
sim, escrevi ressabiados. é só o que me ocorre para quem tenta impedir o bem estar dos outros, sem que o mesmo afecte minimamente a sua vida.
r.e.s.s.a.b.i.a.d.o.s.
eu tentava combater a minha insónia. ela, idem. até que senti a cama a abanar. pensei que fosse ela a mexer as pernas, ela pensou que fosse eu.
estás a sentir? não és tu? não, e tu? eu também não!
sentámo-nos na cama a sentir o efeito.
não imagino quanto tempo durou. mas foi o suficiente para sentir tudo como se tivesse durado imenso.
este parece um post erótico, mas é somente o relato dos efeitos do sismo num lar, de duas mulheres que querem casar, em oeiras.
acho que o meu computador tem de ir fazer psicoterapia.
está com problemas com a mother… board.
já há vistos! por conseguinte, portanto, e outros chavões que tais, tipo é assim, dia 27 voamos para a Banda!! e só voltamos dia 9!
calor me espera! família me espera!
chrysaliis,
saber se alguém faz parte da minha vida é uma coisa que depende só de mim – se a acolho no meu coração.
mas sei se faço parte da vida de alguém, quando me sinto confortável para fazer planos em que a inclua, sem constrangimentos de qualquer espécie.
simples, não?
eu que não acho piada nenhuma a mulheres magras, não é que tenho um fraquinho pela Uma Thurman?
frio. passa a responsável pelo AVAC e dizemos-lhe que, apesar de ligado, o sistema não está com uma temperatura confortável. resposta da criatura:
"não têm um termómetro aí? é que é preciso um termómetro para ver a temperatura do ar. se estiver a 22º está aceitável."
um termómetro??? nós termos um termómetro??
oh, que estupidez a minha! claro que temos! aliás, a par do POC, o termómetro é uma ferramenta fundamental para se fazer contabilidade!
… às pessoas que têm a mania de dizer "temos de combinar qualquer coisa", como se não tivessem casa para receber, nem iniciativa para propôr!
lá em casa, quando queremos "combinar qualquer coisa", escolhemos as pessoas, pegamos no telefone e dizemos: dia tal estão disponíveis para jantar?
[ando assim a modos que sem paciência para algumas coisas. nem sei bem quais são, mas pronto!]
já não basta a figura que uma gaja faz, ali de boca escanchada enquanto nos enfiam ferros e aspiradores e o diabo a quatro, era bem escusado sair de lá com uma tremenda dor no pescoço!
quem nunca passou pela maravilhosa experiência de, após uma travagem brusca, ver o conteúdo todo da carteira espalhado pelo chão do carro!
– ando em mudanças no trabalho. caixas e caixotes e papeís e armários e secretárias tudo em bolanas!
– o Smartinho é lindo, prático, fofo, um mimo. tudo coisas boas.
… a despejar a carteira em público, passo cá uma vergonha, tal é a quantidade de trampa inútil que eu acumulo!
o que eu gosto de ouvir as pessoas começarem as frases por "vou-te dar a minha opinião sincera"!
e depois continuarem a falar e utilizarem "sincera" e seus derivados não sei quantas vezes.
para ajudar à festa, utilizarem isso em situações em que não é muito difícil ser-se sincero, porque não se trata de assuntos melindrosos, antes coisas banais.
tanta insegurança, cansa! não tenho pachorra!
– com as mudanças automáticas do Smartinho
– não esquecer NUNCA que agora tenho de pegar na mangueira da gasolina
é já daqui a bocado, hora do almoço, que vou buscar o pequenito.
a vida é bela!
que um esperto já entrar na minha vida! olaré!
… até provocava umas boas gargalhadas!
acordou tarde, não?
… a Umbrella da Rihanna!!!
por.amor.da.santa!
… já lá vão 6 anos que por aqui ando!
eu, toda eu, sem subterfúgios, sem máscaras. alguns dirão que é um caminho perigoso, mas nunca o senti como tal. ganhei gente, aqui.
este será sempre um dia especial para mim. porque, há seis anos, eu estava completamente perdida e este foi um sítio que me ajudou a encontrar o caminho do equilíbrio – não, necessariamente, só pelo que escrevi aqui, mas também. para além disso, foi por aqui, que eu encontrei a mulher da minha vida! e, digo-vos, isso faz toda a diferença na vida de uma pessoa.
obrigada a quem aqui passou e já se fartou, a quem ainda continua a passar, a todos!
apesar de muito pessoal, isto não faria sentido sem aqueles que aqui vêm.
ontem, enquanto tirava a louça da máquina e dava um jeito à cozinha, dei por mim a cogitar sobre algumas coisas minhas, pai e mãe incluídos, e pensei que um dia ainda voltarei a consultar a minha Rute.
há pouco, à procura de um post sobre o aniversário do blog, encontrei um post em que, na mesma data do ano passado digo isto:
"um dia… não sei quando, mas hei-de voltar a fazer terapia. quando arranjar coragem para abordar as coisas que não abordei anteriormente. não que me incomodem especialmente, mas para que olhe para elas com um olhar menos defendido e mais lúcido. melhor, para as verbalizar."
[pois, se não há coincidências… se calhar vamos lá sentar o rabo outra vez, ai vamos, vamos!]
não, Pedro, meu querido, "dês dos" querendo dizer (e escrever também) "desde os".
por aí, a ler uns comentários muito eloquentes sobre a razão porque não se deve aceitar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, e tropeço nesta linda expressão: "dês dos". e não, a criatura em questão não é contra, até é bem a favor e, curioso, até sabia esgrimir bem os seus argumentos. mas "dês dos"!!! senhores, é muito mau!
ah, grande, grande Laura Abreu Cravo!
tudo não vai além de uma pretensa superioridade moral.
os que acham que a instituição casamento é uma coisa "sagrada", "religiosamente" guardada para macho e fêmea em conjunto. para macho e fêmea unirem e perpetuarem as suas famílias. portanto, uma coisa assim com um élan não acessível a qualquer um, parece.
os outros, os que desdenham o casamento, que dizem que está em crise, já toda a gente se está a divorciar, lá está, porque ousaram e puderam experimentar. e então, superiores, não imaginam que tanta atracção possa ter uma coisa, na qual eles já falharam redondamente – e isso deixa mossas, olá se deixa. deve ser terrível ver alguém lutar tanto por uma coisa, querer tanto uma coisa, na qual se teve insucesso. imagino.
no entanto, essa pretensa superioridade em se achar que os direitos só são para alguns – e toda a retórica, e toda a explicação não passa de um conjunto de coisas bacocas, se atendermos que o bem estar dos outros só nos pode fazer bem – não os torna imunes a todas aquelas coisas fodidas que a vida reserva para todos nós: as doenças dos que nos são próximos, as nossas doenças, a morte, o sofrimento, a angústia, a infelicidade, a frustração. nessas alturas, sofrem como todos. choram, babam-se de desespero, entram em pânico. no fundo, comportam-se como seres humanos que são. iguais a todos os outros.
eu cá, se tivesse que reclamar privilégios exclusivos, caramba, queria mesmo era não ter de passar por todas essas coisas fodidas! e isso eles não conseguem. tristemente, nesse aspecto, não são superiormente morais. que pena…
e agora não quero outra coisa! vou ali até ao tribunal acabar de botar discurso. para ser inquirida por um advogado horroroso, velho, de cabelo pintado de castanho claro, canojo! blhéc!
até me vão cair mal os rissóis que acabei de comer!
[estou aqui sem saber o que pensar sobre o facto de o André Villas Boas poder vir a ser treinador do Sporting. o melhor é não pensar nada, antes que a coisa seja oficial – vai na volta nem é ele!]
hoje, a terra que me viu nascer e à qual me sinto tão ligada – hoje também por via da ‘família que recebi’ – faz 34 anos de Independência! da Dipanda, como eles dizem.
o que eu desejo, pelo amor que lhe tenho, pela família que lá vive e pelas amigas que a ela também estão ligadas, é que continue o seu caminho de crescimento, não descurando o bem-estar do seu Povo, que é aquilo que Angola tem de mais precioso!
estamos juntos, sempre! apesar de fisicamente distantes.
… que me explicassem o que é essa coisa do ‘casamento homossexual’ ou ‘casamento gay’!!
palhaços!
é uma expressão muito usada em psicoterapia. e como eu sofro dela!
detesto desfazer-me de coisas, de pessoas, de relações.
agora, com o aproximar de tomada de decisão, eu, que estava toda contente por ir ter um Smart, vejo-me aqui triste por me desfazer do meu querido Peugeot! tenho-o há 8 anos. os 8 anos de maior mudança e tumultos na minha vida, até estabilizar.
nele dei uma grande volta pela Europa. nele tomei decisões que me custaram imenso – o meu carro sempre foi o espaço de introspecção por excelência, a par da banheira.
há aqui qualquer coisa de estranho. também tive momentos muito felizes, um deles mágico, até, pela mudança que operou na minha vida. no entanto, só me lembro de momentos marcantes, mas de conotação menos feliz – tirando a viagem à Europa, claro. passam-me pela cabeça uma série de imagens menos felizes. que raio! (tenho de ir tentar perceber isto)
mas, o que se passa no meu coração, de caranguejinho típico, neste momento é uma tristeza imensa por me desfazer daquele carro. e não é o carro, objecto em si, é tudo aquilo que ele representa.
estranho. muito estranho. há muito que não me sentia assim. até já andava a pensar que não estava viva!
para o povo, que é perfeitamente cego de paixão pelos clubes e o que lhe interessa são ao vitórias, a atitude de Jorge Jesus no banco é entendida como sendo a de um treinador dinâmico, interessado, que não descura um segundo do jogo e veste a camisola com igual paixão à dos adeptos.
para quem já esteve dentro do futebol, já se sentou em bancos de suplentes, já esteve dentro de campo, aquilo não passa de um mero show off! que resulta muito bem em até em termos de marketing, enquanto as coisas correm bem, mas é só isso.
… de que tomei banho e não lavei os olhos. doutra forma, como explicar os olhos enramelados, que trazia quando aqui cheguei?
nina, minha querida, enganas-te! é ao estilo de São Martinho, mas com 71 cavalos! e os caminhos de cabra ficam guardados para o jipão!
ah! e ao contrário do que possa ficar sugerido num comentário do post abaixo, a troca do meu Peugeot (ganda bomba!) não está nada relacionada com o momento de forma do Sporting! são meras coincidências!
… um esperto entrasse na minha vida?
isso seria… um São Martinho à maneira!

[Baía Azul – Benguela – Angola]
… seria excelente!
novamente na formação. um dos formadores parece um padre a rezar. ainda por cima tem um problema na fala. um horror. isso ou a minha completa falta de vontade e motivação para aqui estar! ontem estive toda a tarde no tribunal para ser ouvida às vinte para as seis e ter de lá voltar próxima quinta. mas, passe a imodéstia, estive brilhante. nasci para prestar declarações em tribunal! (tenho de fazer algum humor com a coisa senão aquilo torna-se demasiado importante)
e o paulo bento lá foi… inevitável.
quando se estabelece uma relação de compromisso conjugal séria (sim, apesar de todos os católicos do mundo e quejandos, essa é a relação que eu tenho com a Maria), há um pacote de coisas que levamos para dentro desse compromisso: nós próprios e todos aqueles que fazem parte do nosso universo afectivo, e concretizando, porque é isso que me interessa agora, a família – a nossa e a da outra parte.
já aqui disse, várias vezes, que eu fiquei a ganhar por uma abada, como se diz na bola. a minha família mais próxima é substancialmente menor que a da Maria. só em sobrinhos é uma fartura, eu que até sou filha única!
acho que uma das fases mais difíceis de uma relação de compromisso é adaptarmo-nos a todas estas pessoas, que não faziam parte da nossa vida até então, e que muitas vezes nem sequer nos tinham passado pela cabeça fazer: em número e em personalidade. entra-se, portanto, num mundo novo.
confesso que não me foi fácil. era muita gente, alguma à distância de milhares de quilómetros, cujas visitas se faziam uma, no máximo duas vezes por ano. não é fácil criarmos afinidade, empatia, com pessoas que vemos tão poucas vezes. porque entram em jogo as personalidades de cada um e, é sabido, que isso não é ligeiro de se abordar. de se contornar.
grosso modo, para mim, demorou à volta de três anos a conseguir. houve uma pessoa com quem tive uma empatia imediata, daquelas que não se explicam racionalmente, que foi com a minha cunhada. do mais pacífico possível, descontraído e bastante divertido. com o cunhado foi uma questão, mesmo, de tempo. seremos, quiçá, muito parecidos, talvez mesmo na timidez que nos faz ser, aqui e ali, algo arrogantes para disfarçarmos essa fraqueza. mas tudo ultrapassável e ultrapassado, assim haja vontade. a vontade, a nossa principalmente, mas a dos outros também, faz milagres, acreditem. o querer é uma arma poderosa.
houve outro elemento difícil: uma sobrinha. das primeiras vezes que nos encontrámos, corpos perfeitamente estranhos. e, claro, primeiras vezes, podem querer dizer dois anos.
mas, de uma coisa sempre estive confiante. a de que era uma questão de tempo. que o desafio que tinha aceite, ao iniciar a minha relação com a Maria, era grandioso, também por toda a gente que iria entrar na minha vida, mas que era O desafio da minha vida, porque era aquele mesmo que me permitiria ser incomensuravelmente feliz. como sou.
o voltar de página, com a sobrinha, sucedeu com uma estadia prolongada dela em nossa casa, aquando da sua gravidez. tomámos conta dela, não que ela não fosse capaz, mas porque a queríamos mimar. porque ela trazia na barriga mais um elemento da família, que iria prolongar este laço, mas muito porque ela merece, ela é uma das nossas. e os nosso devem ser protegidos.
a partir daí, a nossa relação evoluiu num crescendo de empatia e afinidade. adoro quando ela vem cá e fazemos aqueles lanches ajantarados, em que discutimos coisas sérias, mas também nos divertimos imenso com as histórias da banda! em que o puto, já com dois anos e meio, nos encanta com o seu poderosíssimo charme, e a avó dela nos desarma com a sua simplicidade de mulher do povo, sem rodeios, frontal e destemida e muito, muito genuína. de uma genuinidade que dificilmente se encontra em gente da nossa geração.
enfim, tudo isto porque a sobrinha esteve a desencaminhar a morena, para irmos passar o fim do ano à banda.
nós? ficámos de cabeça à banda, claro, a fazer contas aos dias de férias, etc e tal!
sou tão feliz, caramba!



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