não consigo sentir-me atingida por grandes movimentos solidários, nem ficar profundamente triste com a desgraça que acontece a milhares de quilómetros de mim.
a ser sensível, sê-lo-ei a pequenos gestos que possam fazer a diferença de uma forma directa e mais controlada. talvez a comparação não seja a melhor, mas penso que dá para perceber o sentido: acho que consigo maior efeito de aceitação na minha acção directa com pessoas, do que em manifestações rua abaixo.
portanto, não sou daquelas pessoas que se mostra muito solícita com a desgraça alheia – aquela que dá imenso nas vistas e ocupa noite e dia os canais de informação – não escrevo muito sobre isso e não sinto como que uma obrigação em contribuir. lamento, mas não choro, nem me comovo com todos os mortos que desgraçadamente caiem todos os dias.
mas, sou incapaz de tratar mal as pessoas, de as ‘atropelar’ quando saio do elevador, de não respeitar a ordem de espera, de não dizer por favor e obrigada, e – chegamos ao que me fez lembrar de escrever este post – de estacionar o carro em lugares reservados a deficientes.
há coisas que me encanitam e essa é uma delas. é mais fácil aparecer na televisão e nas revistas a dizer que se está muito solidário com os desgraçados deste mundo, fazer festas e merdas assim para angariar fundos, e apaziguar consciências, mas o lugarito reservado, ali mesmo ao lado da pastelaria, não interessa nada!

[é impressionante a parecença entre a Felipa Garnel e a psicóloga Isabel Leal]