quando se estabelece uma relação de compromisso conjugal séria (sim, apesar de todos os católicos do mundo e quejandos, essa é a relação que eu tenho com a Maria), há um pacote de coisas que levamos para dentro desse compromisso: nós próprios e todos aqueles que fazem parte do nosso universo afectivo, e concretizando, porque é isso que me interessa agora, a família – a nossa e a da outra parte.
já aqui disse, várias vezes, que eu fiquei a ganhar por uma abada, como se diz na bola. a minha família mais próxima é substancialmente menor que a da Maria. só em sobrinhos é uma fartura, eu que até sou filha única!
acho que uma das fases mais difíceis de uma relação de compromisso é adaptarmo-nos a todas estas pessoas, que não faziam parte da nossa vida até então, e que muitas vezes nem sequer nos tinham passado pela cabeça fazer: em número e em personalidade. entra-se, portanto, num mundo novo.
confesso que não me foi fácil. era muita gente, alguma à distância de milhares de quilómetros, cujas visitas se faziam uma, no máximo duas vezes por ano. não é fácil criarmos afinidade, empatia, com pessoas que vemos tão poucas vezes. porque entram em jogo as personalidades de cada um e, é sabido, que isso não é ligeiro de se abordar. de se contornar.
grosso modo, para mim, demorou à volta de três anos a conseguir. houve uma pessoa com quem tive uma empatia imediata, daquelas que não se explicam racionalmente, que foi com a minha cunhada. do mais pacífico possível, descontraído e bastante divertido. com o cunhado foi uma questão, mesmo, de tempo. seremos, quiçá, muito parecidos, talvez mesmo na timidez que nos faz ser, aqui e ali, algo arrogantes para disfarçarmos essa fraqueza. mas tudo ultrapassável e ultrapassado, assim haja vontade. a vontade, a nossa principalmente, mas a dos outros também, faz milagres, acreditem. o querer é uma arma poderosa.
houve outro elemento difícil: uma sobrinha. das primeiras vezes que nos encontrámos, corpos perfeitamente estranhos. e, claro, primeiras vezes, podem querer dizer dois anos.
mas, de uma coisa sempre estive confiante. a de que era uma questão de tempo. que o desafio que tinha aceite, ao iniciar a minha relação com a Maria, era grandioso, também por toda a gente que iria entrar na minha vida, mas que era O desafio da minha vida, porque era aquele mesmo que me permitiria ser incomensuravelmente feliz. como sou.
o voltar de página, com a sobrinha, sucedeu com uma estadia prolongada dela em nossa casa, aquando da sua gravidez. tomámos conta dela, não que ela não fosse capaz, mas porque a queríamos mimar. porque ela trazia na barriga mais um elemento da família, que iria prolongar este laço, mas muito porque ela merece, ela é uma das nossas. e os nosso devem ser protegidos.
a partir daí, a nossa relação evoluiu num crescendo de empatia e afinidade. adoro quando ela vem cá e fazemos aqueles lanches ajantarados, em que discutimos coisas sérias, mas também nos divertimos imenso com as histórias da banda! em que o puto, já com dois anos e meio, nos encanta com o seu poderosíssimo charme, e a avó dela nos desarma com a sua simplicidade de mulher do povo, sem rodeios, frontal e destemida e muito, muito genuína. de uma genuinidade que dificilmente se encontra em gente da nossa geração.

enfim, tudo isto porque a sobrinha esteve a desencaminhar a morena, para irmos passar o fim do ano à banda.
nós? ficámos de cabeça à banda, claro, a fazer contas aos dias de férias, etc e tal!
sou tão feliz, caramba!