o ano de todas as questões – e o mais rico e intenso da minha vida.

[paralelamente: viajei como nunca antes – luanda, benguela, veneza, las vegas, los angeles, san francisco, nova iorque. voltei a fazer terapia. regressei ao futebol. reanimei este blog que estava completamente acomodado.]

certamente, não nos perdemos, minhas amigas. o ano não não justifica ausências, comportamentos. entendamos tudo isto como um pacote de aprendizagem. estamos, algumas de nós, em desencontro. há fases da vida em que nos aproximamos mais, que todos os nossos interesses e desejos se sintonizam. outras, em que temos necessidade de fugirmos cada uma para seu lado. uma necessidade que nem sempre é consciente, assumida. mas que é real. e não tem mal nenhum. haveremos de nos reencontrar lá mais à frente, estou certa disso. não nos perdemos. só não estamos sintonizadas. tudo o que vivemos até agora já não será repetido nos mesmos sítios, com o mesmo sentimento. foi como se tivéssemos perdido a inocência dessa partilha específica. mas teremos direito a outra. eu sei que é difícil aceitar as perdas, a mudança. se sei! mas também sei da minha responsabilidade nisso. e, por isso, por aceitar a minha responsabilidade, sinto que este é um momento de turbulência para as nossas relações, mas que é uma turbulência interior. que em nada vai interferir com o que viveremos no futuro. isto porque acredito que o caminho individual de crescimento, que necessitamos de viver em separado hoje, não vai arrastar na sua conclusão nenhum ressentimento. não é nada dirigido. às vezes parece, mas não é, acreditem. somos nós a viver a mudança da idade. a questionarmos o que fizémos. a chorar perdas. a lamentar não termos feito mais coisas. mas não é dirigido. é individual. é interior. e, quando passar, vai voltar a ser bom. com mais cabelos brancos, mais rugas, mais rabugice, talvez, mas acredito convictamente que saberemos lá chegar e reencontrarmo-nos. e reconhecermo-nos.

[post muito dedicado, mas no fundo para toda a gente que, aqui e ali, vive desencontros.]

 


[16.07.2003]

ao fim de alguns dias a subir escadas imensas, cheguei ao topo do edifício mais alto.
fui até à beira do precipício, naquele momento em que a vertigem começa a tomar conta de nós.
inclinei o corpo para a frente e deixei-me cair.
ainda ando na fase de ser arrastada pelo vento. momentos há em que raso esquinas de edifícios, outros levam-me a ver o mar. já quase fui manjar de gaivotas. de pombas.
depois de saborear o planar ao sabor do vento, vou aprender a voar.
custe o que custar, demore o tempo que demorar.

sabes o que mais me agrada, depois deste verão que se fez tão quente para ambas?
é voltar a ouvir as tuas gargalhadas, sempre que falamos ao telefone. é voltar a ser brindada com o teu sentido de humor.
por mim, naturalmente de uma forma egoísta porque me sabe muito bem, mas também por ti.
porque voltaste saudavelmente ao teu caminho.
e eu e tu temos um caminho em comum. que nem a minha frontalidade irritante e a tua elaboração desmedida das coisas conseguem estragar.
temos a tolerância máxima que se desenha nos grandes afectos. daqueles que um dia, sem nos apercebermos bem como e de onde surgiram, nos brotam do coração e fazem-nos surpreendidas. e maravilhadas.
gosto do cuidado que me tens. eu, que não sei muito bem o que posso dar, dou-me. é a minha maneira de te retribuir.
gosto tanto de ti. obrigada por tudo o que me dás.
deo gratias.

fechar a porta de casa com a chave lá dentro.
dentro = casa
eu? no corredor, claro!

* acordo ortográfico? não desbundo!

[eu, que sempre me senti tão corajosa, vi-me naquele dia tolhida de decisões. estava sentada numa pedra, à beira de um caminho que atravessava um vale. de um lado uma planície ainda verdejante, do outro um ribeiro onde a água corria acelerada, não sei bem como visto que a inclinação era inexistente. deitei-me para trás, ergui ligeiramente o pescoço apoiando no topo da nuca e fiquei a contemplar o futuro de pernas para o ar. desde então, nunca mais parei de ter problemas na cervical.]

depois da porra do natal vem a merda da passagem do ano!

fazer um caminho concertado.

Que a arte não se torne para ti a compensação daquilo que não soubeste ser
Que não seja transferência nem refúgio
Nem deixes que o poema te adie ou divida: mas que seja
A verdade do teu inteiro estar terrestre

Então construirás a tua casa na planície costeira
A meia distância entre montanha e mar
Construirás – como se diz – a casa térrea –
Construirás a partir do fundamento

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

eis que senão, um dia, as circunstâncias da vida todas se modificam, acordam como loucas e viram tudo do avesso.
tomam-se de uma confiança desmedida e varrem tudo o que lhes aparece pela frente.
como um tornado.
pelo ar voam cortinas japonesas, livros meio lidos, almofadas forradas de seda do oriente, lençóis de algodão branco, discos desmaquilhadores, canecas de porcelana, misturados com folhas das árvores que amarelecem prematuramente, anunciando um outono [que se faz anunciar] premente.  

a dúvida?
na reconstrução, o que irá sair…

gosto cada vez mais de sushi!

[também, a cada sessão que passa, gosto cada vez mais da minha Rute.]

agora é que me apetecia encostar às boxes!

estão a ver aquele espacinho, que parece mínimo, entre a confiança que temos com determinada pessoa para lhe dizermos tudo o que nos vai na cabeça, coração, tripas, etc, etc, e o direito, que lhe é reservado, em não ser invadida na sua intimidade?
aquele espacinho, estão a ver, parece mínimo, mas existe.

[curioso, curioso, é interpretarem sinais onde eu não os dou, e retirarem-nos nas situações onde eles são mais evidentes!]

não correu como eu esperava, antes sim, como eu fiz acontecer.
e foi muito bom. e ainda há-de ser muito melhor.
há-de me sair das entranhas, fazer doer imenso, mas o caminho que me destinei vai acontecer!

(curiosamente, estive muito mais tolerante contigo, que tanto tenho trabalhado sobre ti.)

não sei de onde vem a idéia de que eu tenho mau feitio!

feliz natal! 🙂

@ 10:30 am
ainda nem estou aqui há doze horas, já começa o bombardeamento! mas porquê e porquê e porquê?
uma gaja já tem dificuldade em lidar com a mudança e ainda tem que gerir o que ela provoca nos outros? mas é que nem pensar! estou farta desse peditório.

que esta semana ía ser bastante tranquila…
[obrigada por estarem tão bem! precisava tanto disto…]

a única coisa a temer é que não haja sol. de resto, vamos bem muito obrigada. de jipe, mas com aquecimento. e sem indicador de temperatura exterior, que é para não me dar um treco logo à noite quando me aproximar da santa terrinha!
para além disso, com o meu BB, vai ser postar até na noite de natal, que para mim é igual a todas as outras, mas com um bacalhau cozido e umas couves de fazer a baba escorrer.
agora, vou ali comprar um vinho para acompanhar. e, já agora, almoçar para que a tarde não corra mal.
portanto, sol. eu quero sol para amanhã e depois. se faz favor.
obrigada.

já encontrei outra expressão que rivaliza com o ‘carpe diem’ na lista das minhas irritações. é ‘o caminho faz-se caminhando’. [duh!?!]
sol na marginal. em Lisboa está escondido e agora chove.
de todo o modo, continuo a achar que esta vai ser uma semana bem tranquila!
bom dia!

ter os pés gelados e estar a abanar-me com o leque, porque da cintura para cima tudo arde!

mas agora fiquei cheia de vontade de ter o cabelo assim comprido!
(alguém conhece um acelerador de crescimento capilar? tipo, põe-se hoje e amanhã já está? agradecida.)






pior ainda que as mensagens e os mails, é ver como nesta altura do ano anda toda a gente muito moralista. e cheia de si e das suas ideias! mas tão cheia que em vez de as pôr em prática, desata a dar bitaites sobre o que os outros devem fazer também.
ah e tal, este ano em vez de gastarem tanto tempo a comprar presentes, pensem mais nas pessoas e no sentimento e no amor e na paz e no c*ralhinho que vos coise a todos!!!
mas que puta de mania que as pessoas têm de dizer aos outros o que eles devem fazer!!
ora e se me apetecer esbanjar rios de dinheiro a comprar bué da merdas que ninguém vai ligar, só para acalmar a minha consciência, e estiver cagando para o sentimento e para as necessidades das pessoas e tudo isso, o que é que alguém tem que ver com o assunto, hem??
adoram vomitar boas vontades nesta altura do ano. e o que eu odeio essa postura!
somos todos tão fofinhos, tão preocupadinhos, tão boas pessoas, cagalhão!

agora recebo um mail a convidar-me para o lançamento de um livro cujo título começa assim ‘O Glorioso…’!
o quê? o gloquê?
primeiro: quem é que disse que eu gosto de livros?
segundo: do glo…? eu? eu?
querem lá ver que tenho de recomeçar a escrever sobre futebol, sobre o sporting, para não ter que levar com esta alarvidade na caixa do correio?
gloquê??

[isso e as putas das mensagens de natal que não dizem nada de jeito, caraças! não respondo nem a uma!!]

sono, sooonooo…zzzzzzzzzzz!

ou de como as boas festas este ano vieram com uma cara nova!

uma criatura, que não conheço, resolveu incluir-me numa lista para assinar uma petição.
uma petição, cúmulo dos cúmulos, contra o aumento do moche. do moche! do m.o.c.h.e.!!
mas que merda é essa, pá? quero lá saber disso! olha que caraças!

do moche??? (vieste mesmo bater à porta certa…)
um moche fazia-te eu se pesasse 150Kg!

e vós?

de como da Bellucci se vai ter à Santíssima Trindade, passando pelo BES, daí até à Imaculada Conceição e terminando com a conclusão de que a Maria Madalena poderia ser a fashion adviser do JC, ou…

… de como as conversas ao telefone com a minha Prima Mente são do melhorzinho que existe neste mundo!!!

“esperançada em acreditar” é uma coisa muito tolinha de se escrever, senhores!

espreito para a direita e vejo o verde iluminado pelo sol.
por aqui hoje está tudo com azia. não sei o que se passa.
eu não. estou particularmente bem disposta e tranquila (deve ser porque fui à casa de banho há pouco).
tão tranquila que não fiz nenhuma compra de natal, nem vou fazer.
detesto comprar coisas sem vontade. já com vontade a habilidade é pouca, pressionada não sai nada de jeito.
portanto, hoje é terça-feira, tenho jantar da minha equipa e o resto é só o mundo a andar de um lado para o outro.

[gosto tanto daquelas gotinhas que se vêem na foto aí em baixo. a foto não está nada de especial, mas aquelas gotinhas… dispõem-me bem.]

e aqui esperançada em acreditar que esta vai ser uma boa semana.

Rute, aqui vou eu! prepare-se!

pisando aqui e ali. o que vai ficando para trás e é difícil de arrumar. o espaço que vai faltando para caminhar. o túnel que se vai estreitando. o peito a ficar apertado. o colete que se aperta ao redor dos pulmões. a necessidade de atirar o ar aos golfos projectado a toda a velocidade, partindo tudo o que se atravessa à frente.
hoje é segunda-feira.

que esperar de uma segunda-feira às 11:14?

(vou mas é beber um chá preto e comer um pãozinho com manteiga, a ver se isto passa!)

que esperar de uma segunda-feira?

ampla.

[eu vou à bola amanhã. às 15h estarei no auge do meu stress. em princípio voltarei ao banco, de braçadeira de delegada no braço esquerdo. e a fazer um esforço muito grande para não me insurgir (estupidamente, claro está!) contra a arbitragem, de forma a não me estrear logo com um castigo. por acaso até vou fazer uma aposta em como esta época não vou ser castigada! depois darei conta se isso não for verdade.]

… está lá!
[está lá? sim diga. posso fazer o pedido? força! então, desejo uma bola de mafra mal cozida com manteiga e uma meia de máquina. pois… a meia é que não vai ser possível. sabe, é que a máquina é compacta.]

… que há a bela da hipótese de eu ter perdido uma quantidade razoável das minhas fotos, só me apetece desatar ao pontapé a tudo!
(responsabilidade de ninguém, obviamente, mas como joguei futebol dar pontapés é uma coisa que me está no sangue. se virem uma mulher de caracóis aos pontapés às coisas, na rua, já sabem, sou eu!)

ter um post ao vivo e a cores, na tabacaria do metro do campo grande, é um momento único.
adoro esta mulher!
(e tenho o privilégio de ser alguém de quem ela gosta, em quem confia. isto, parecendo não querer dizer nada, quer dizer muito. sobre mim e sobre ela. e a vida é muito boa, porque me privilegia com pessoas fantásticas que gostam de mim.)

o meu colega cheio de frio nas mãos, a esfregar uma na outra para ver se aquecem.
a mim, de repente, dá-me assim um ataque, que tenho que desapertar o casaco e abanar-me com o primeiro molho de folhas que me vem à mão.
como isto com o álcool fica muito mais acelerado, logo à noite vou levar uma garrafita daquelas de bolso, para conseguir ver o treino sem congelar.

magnífica manhã de sol. há visibilidade até ao Cabo Espichel. o Bugio apresenta a nitidez dos seus contornos. a marginal está cheia de carros. selva urbana. bocejos. cigarros queimados. telemóveis. semáforos.
dormi dez horas. não devo estar muito lúcida.
bom dia!

são oito da noite e eu dei por mim agora a fechar os olhos e a cabeça quase a pender!
(acrescente-se que estou a comer num sítio público e que não ficaria muito bem fazê-lo. isso e chorar, vá!)

sendo que a impossibilidade de estar grávida está directamente ligada à ausência de tpm, devo concluir que estou a entrar na fase de descompensação hormonal própria da pré-menopausa.
é que por tudo e por nada, com alguma coisa que me emocione ou angustie, dá-me logo vontade de chorar. e, pior, tenho imensa dificuldade em conter as lágrimas. o que me dá uma trabalheira desgraçada quando estou a trabalhar, ou em qualquer outro sítio que não me dê muito jeito fazê-lo!

mas que mania têm os pais das criancinhas de responderem por elas!!!

ora mostrai-vos lá:
– como é? adormecer no cinema? já desbundaram ou não?
(eu sou perita em dormir no cinema.)

… e o frio que está neste balneário?!?

[tão bom, mas tão que me tenhas ligado com essa voz que me embalou, que me deu colo, que sorriu, leve, que me perguntou o que eu queria para almoço, leve, leve, leve. soube-me tão bem sentir a tua voz sem pressão, perguntando como estava mas sem esperar resposta que te agradasse, antes só saber como estou. não sei mais que te diga. tenho tanta dificuldade em te dizer coisas de mim. tenho tanta dificuldade em ser mulher junto a ti. só me vejo como a tua menina. mas deixa-me dizer outra vez, que o teu telefonema foi um bálsamo para este dia tão tumultuoso. gostaria de te falar sobre tudo isso, mas não sei se algum dia conseguirei.]

acabaram de me sugerir como presente de natal uma coisa que eu gostava muito, mas mesmo muito, de ter.
e eu não consegui aceitar.
e eu não sei se sou coerente,
se estúpida.

preciso muito de me agarrar a mim. desesperadamente, a mim. não me deixar fugir. [fica aqui, sossega, vai correr tudo bem.]

… é podar!

… que é postar num Ipad!
estranha… tão estranha que não me ocorre nada inteligente para dizer – mas isso não é um problema do Ipad, mas sim da ausência de neurónios.
já ver o blog… é m.a.r.a.v.i.l.h.o.s.o.

se eu fosse fotógrafa podia trabalhar assim.

hoje estou cá com uns afogueamentos, que de repente aparecem vindos sabe-se lá de onde. a idade, a bela da idade!

[a minha equipa ganhou 2-0]

nova viagem

antes dos afazeres desportivos.

ainda que algumas vezes acerte em cheio nas fragilidades, que procuramos esconder debaixo do tapete das emoções, como fazemos com um pequeno pedaço de lixo que se encontra na sala quando recebemos alguém e empurramos com a ponta do sapato, ela voltou a escrever. e, Deus, de que maneira poderosa!

[obrigada por te disponibilizares para a partilha.]

que ainda falta colorir.

pela cor das árvores do Campo Grande!

passam-se tempos sem chover e de repente…

pronto, era só isto.

esta duplicação é para o caso de termos dúvidas?

uma gaja bebe uns copos de sangria e desata a ficar cheia de calor, saca do leque e arrisca-se a que toda a gente nos diga que já estamos nos cinquentas e tais!

correio

meiavolta(at)gmail(dot)com

fotografias

todas as fotografias aqui reproduzidas são da autoria de ©Anabela Brito Mendes, excepto se forem identificadas.

acordo ortográfico

não sei como se faz e nem quero saber!

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