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muita fotografia e futebol, intervalados com amigas e assim.
o que eu precisava era de dormir, mas não se pode ter tudo na vida.

#7
Clube Futebol Benfica – 04.nov.2013

Tomar 28.dez.2013
… eram umas bolachinhas mergulhadas em chá preto e comidas à colher. quase desfeitas. ou uma parte quase desfeita, outra mais dura. e deixá-la desfazer-se entre a língua e o céu da boca.
quem é que redigirá os comentários que vão para o spam?
é que são cá de uma criatividade, que eu leio-os todos!
há gente tão triste, tão pequenina, tão poucochinha, que fico sempre dividida entre dar-lhes dois pares de estalos ou um colo para respousarem os fantasmas.

#3
Clube Futebol Benfica – 09.out.2013
o que eu gostava, mesmo, é que a peça da minha vida voltasse a ser escrita por um dramaturgo.
em vez deste ranhoso copywriter de agência de quinta categoria…






liga-me a minha mãe, sempre com aquela voz toda despachada, e diz-me “hoje estamos de parabéns!”.
olho para o telefone, vejo a data para nunca mais me esquecer, e respondo “é hoje? estão mesmo de parabéns!” e ela a sorrir “já viste? 53 anos a aturarmo-nos?” e ri-se muito.
[depois, mudamos a agulha para as trivialidades. eu desaprendi a mostrar as emoções. ela sempre foi mais ou menos assim.]
um dia, quando for mais velha, gostaria de ter um amor assim. companheiro e acompanhado.
(talvez se o desejar para muito tarde, tenha esse beneplácito dos deuses. encaro esta fase como uma espécie de aprendizagem. já tive tudo, já experimentei tudo, muitas vezes de forma inconsciente, não valorizando devidamente o que estava em causa. talvez agora tenha de passar por esta fase de vazio, de solidão. para perceber ao certo o que é ou não importante, quando desejamos que alguém faça parte da nossa vida. o difícil nisto é que nunca se sabe como termina. mas eu sou optimista e aceito o que me acontece. portanto, talvez agora seja mesmo altura para experimentar o que nunca tinha experimentado: a solidão.)
faz hoje 53 anos que os meus pais se juntaram. em pleno início da guerra colonial, numa Luanda distante, longe de ambas as famílias. acredito que deve ter sido assim uma espécie de coup de foudre. o sorriso do Zeca deve ter esmagado o pragmatismo da São. têm uma história de amor muito bonita, cheia de peripécias e contratempos – que eles ignoraram de forma corajosa e assumiram o seu caminho.
tenho um bocadinho de cada um dentro de mim. e do Zeca o sorriso e as rugas nos olhos.
mesmo tendo que estar fechada a trabalhar, sempre é melhor quando se olha para a rua e se vê a luz do sol.
e as saudades que tenho de andar de bicicleta?
[estou toda contente. tinha um problema com a captura de imagens para o projecto, por causa da falta de luz, mas ontem fiz umas experiências e acho que me vou safar. assim as minhas jogadoras colaborem…]

#16
Clube Futebol Benfica – 20.jan.2014

Clube Futebol Benfica
Equipa feminina de futebol 11
19jan14 às 14:57
não é o futebol. riem-se quando eu digo que não gosto assim tanto de futebol. é verdade, não gosto. gosto do futebol da minha equipa. o que equivale a dizer que gosto de futebol por causa das pessoas. e sim, o que me faz ali andar é a minha capacidade de organizar e são as pessoas.
aquelas pessoas a quem reconheço os olhares, os trejeitos, o correr, as chuteiras. as vozes, a dinâmica, o humor. e que às vezes me fazem exasperar, porque eu sou muito exigente e impaciente. mas o que não sabem, e não sabem porque eu não consigo exprimi-lo certamente, é o quanto eu gosto delas (e deles). o quão maravilhada fico a vê-las crescer como grupo e como equipa. os laços a estreitarem-se, a euforia da comemoração colectiva.
não há forma de explicar isto. sente-se. vem de dentro, do departamento dos afectos. e vê-se. no brilho do meu olhar quando falo delas. só tenho pena de nunca me terem dedicado um golo, mas pronto, qualquer dia há-de ser. ainda temos poucos marcados! (59 em 16 jogos, senhores, que são tão brutinhas!)
o que leva esta gente a votar a favor do referendo, deve inscrever-se numa coisa qualquer semelhante a isto: ai são “filhos” do pecado? então são pecadores também.
deve ser a isto que se chama herança.
[é tão triste tudo isto. é triste ver os seres humanos serem desumanos. autistas em relação a direitos fundamentais. que coisa estranha irá dentro daquelas cabeças, daqueles corações? e que raio de legitimidade tem um voto de alguém que depois declara que não era bem aquilo que queria votar, mas coiso a disciplina, blá blá blá? estamos a falar de direitos fundamentais, como pode haver disciplina de voto? e que merda de gente é esta que se deixa encarneirar na puta do partido? há dias em que este país é um sítio muito podre para se estar, de facto!]

#10
Clube Futebol Benfica – 08/jan/2014
não se percebe, eu não percebo, pelo menos, como é que o tempo está a passar tão rápido.
eu sei que tenho actividades que me levam grande parte do tempo livre, mas é um exagero a voracidade do Cronos.
guloso!
tenho constatado que à medida que me subtraem hipóteses, aumento a minha capacidade.
capacidade para quê é que é uma boa questão.

Estádio Municipal de Vila Verde – campo sintético
12/jan/2014 às 17:36
os meus dias têm sido fraccionados assim: fazer gelo, pôr thrombocid x ‘n’.
(no sábado ia-me matando no autocarro a caminho de Braga. um travagem a fundo, quando estava em pé, fez-me esparramar corredor fora, parecia eu que estava a apanhar uma onda na costa! ao mesmo tempo que aguardava o momento em que aquilo iria partir-se tudo de encontro a qualquer coisa. muito radical!)
um tipo ao telefone no átrio do ginásio a discutir a depilação.

dentro em breve iniciarei um projecto destes para me ajudar a pagar a puta da electricidade, que estou a gastar à conta da quantidade de água que se foi naquelas horas, sei lá eu quantas, em que isto esteve sem rei nem roque a inundar a minha pequena casa.
mas que raio anda no ar, que de repente uma data de gente diz estas merdas?
eu até fico com urticária… a mim, se me quiserem dar um beijo, dêem-me uma coisa mais física, pode ser? na cara, na testa, na mão, na boca, no pescoço, nas costas, na barriga, nas pernas, qualquer cosinha assim e eu aceito e agradeço.
agora… coração? e porque não fígado? pulmões? apêndice ainda tenho. só não pode ser útero, que esse tiraram-mo há… sei lá quando!

… mas quase.
por menos bom que seja, sempre é melhor do que ter de enfrentar uma inundação sozinha, às onze e tal da noite.
… a dificuldade das pessoas em serem sinceras comigo.
eu sou tão mais condescendente na assumpção do erro…
… que este ano já tenho três que me dão água pela barba: fazer um livro de fotografias.
há pessoas que nos convidam para sua casa e depois, quando estamos quase a pôr um pé lá dentro, fecham-nos a porta violentamente na cara.
a malta fica ali com cara de parva. o ramo de flores esborrachado contra nós, pétalas caídas por tudo quanto é chão.
um desperdício.
enfim…
… é um estado tão arrogante…


Lisboa
01-01-2014 às 00:21

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