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há em mim uma comoção ternurenta, cínica assumo, quando ouço jovens de vinte e tal anos falarem que encontraram a pessoa para a vida toda. também já senti essa coisa de que era para a vida toda, mas aos vinte e tal anos o que eu queria era conhecer pessoas e viver a vida! e jamais pensei que encontraria, naquela idade, tamanho compromisso. e ainda bem, porque a desilusão teria sido imensa – comigo própria, obviamente!
a forma como me relaciono, e deixo que se relacionem comigo, às vezes tem o mesmo resultado que o apuramento das contas do final do ano: resvala.
já deitada, levanto-me e vou à varanda aproveitar o ar fresco da noite.
dos gigantes que me rodeiam despontam meia dúzia de luzes, de seres acordados tal como eu.
sabe bem a brisa que corre. ao longe ouve-se um comboio que se aproxima.
nunca percebi a expressão do comboio não parar duas vezes na mesma estação. fico a meditar sobre isso e quase que acreditava que estes, da linha de Cascais, devem parar diversas vezes e, provavelmente, mais do que uma vez ao dia.
não entendo gente céptica, juro que não.
(*) que nos impedem de avançar
aquela dificuldade que sentimos em comunicar aos outros decisões difíceis, com a desculpa da preocupação com o sofrimento alheio, para além de uma grande falácia, não é mais do que uma grande falta de respeito para connosco e uma autoestrada aberta e sem portagem para ficarmos doentes, deprimirmos e outras coisas por aí adiante!
a facilidade com que metemos os outros em primeiro lugar na nossa vida é doentia!
onde teremos aprendido isso? quem nos terá deixado tal legado? e a quem iremos nós deixá-lo, essa é a questão mais pertinente e importante.
pequenas pedrinhas que rolam acima abaixo sob o movimento constante da água do mar. umas vezes mais à superfície, esquecidas ao sol na maré baixa, outras mais profundamente ate se perderem e irem parar a outra praia. de tanto rolarem tornam-se cada vez mais redondas, mais macias.
hoje o mEiA vOlTa e… faz 17 anos!
não interessa muito querermos saber como as pessoas são, porque invariavelmente elas são somente a ideia que construímos delas.
quando se perde o hábito de escrever, recomeçar consegue ser uma coisa bastante difícil.
sempre me apareceram as ideias nos sítios mais incomuns e inesperados – ou talvez não assim tão inesperados.
o banho sempre foi uma fonte de inspiração – banho e fonte parecem-me uma boa conjugação. talvez por ser um sítio em que estou entregue a mim e de algum recolhimento. e a água, que eu tanto amo ou não fosse caranguejo com ascendente em peixes (todo um mundo de navegação balançante que me faz perder muitas vezes), e a água… a água, pronto já me perdi.
isto tudo a propósito de ontem, enquanto caminhava à beira mar, me ter surgido uma ideia para escrever. fiz um esforço para reter o que me tinha surgido, duas ou três frases que estavam tão bem alinhadas e que seriam perfeitas para este recomeço. perderam-se… que pena ainda não terem inventado smartphones com uma função para gravar a voz – teria sido perfeito para guardar a ideia.
quem sabe, um dia…

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