* dizer que fui ao futebol era demasiado lisonjeiro para o que assisti.

há muito que não ía ao estádio ver um jogo. realmente, é outra coisa. para o bem e para o mal.
é interessante ver o colorido da coisa, a excitação do povo, o nervosismo, as reacções.
mas, principalmente, a perspectiva do campo e do jogo é outra. mais real. quando se vê na televisão a gente perde-se nas tretas das repetições, que só servem para atiçar os ânimos, e não temos muitas vezes noção da dimensão táctica da coisa. ao vivo isso tudo desaparece.
não há repetições e está tudo ali desenhado num imenso rectângulo verde. e a palavra imenso não é inocente. para o sporting ele é mesmo i.m.e.n.s.o! melhor, para o sporting de paulo bento bastaria um campo com as dimensões mínimas. poupava-se na relva e na água. aliás, visto que o sporting só joga em dois corredores, poderiam até apresentar uma proposta em que os corredores laterais só aparecessem quando os jogadores se movimentam para lá. teríamos então um campo com o corredor central e o direito e o esquerdo alternadamente.
é confrangedor ver futebol assim, e ainda que tivessem ganho, a minha postura seria a mesma. realmente, só mesmo uma paixão cega, como é a paixão pelos clubes, pode fazer com que se saia de casa para ir ver aquilo ao vivo e a pagantes!
é inadmissível que, numa equipa profissional que treina todos os dias, os jogadores andem sistematicamente a chocar uns contra os outros; que apareçam à frente do colega que transporta a bola; que no mesmo corredor se encontrem o médio direito, o médio centro e o médio esquerdo, ao mesmo tempo – isto não é má vontade, nem falta de qualidade dos jogadores, é um desacerto táctico que só tem um responsável.
enfim, nada de novo.