ontem voltei a pisar um chão, que foi o meu chão durante oito anos e ao qual não regressara em cinco anos de separação.
pensei tantas vezes nesse momento. adiei-o, mais por falta de motivação do que por outra coisa qualquer. mas a vida, e cada vez tenho mais certeza disso, acaba sempre por nos dar hipótese de reparar o que nos perturba. assim nós estejamos predispostos a tanto.
e foi tranquilo – tanto quanto pode ser tranquilo, o regresso a um sítio onde fui incomensuravelmente feliz, infeliz, preocupada, atenta, despida, angustiada, irada, zangada, enfim, onde eu fui verdadeiramente eu. onde me dei sem quaisquer reservas, e onde constatei que, a médio/longo prazo, o que as pessoas valorizam é a verdade e a coerência. daí que não há que ter receio de impôr regras e disciplina. as pessoas podem ficar zangadas no momento, podem até nem perceber, mas se formos honestos e coerentes, isso há-de ficar-lhes na cabeça para mais tarde recordar.
e ternura. ternura ajuda sempre.
como dizia Che Guevara: há que ser firme sem jamais perder a ternura.
ontem, tive um reencontro que me fez (caso tivesses dúvidas) verificar isso mesmo!

19 comentários
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Segunda-feira, 19 Outubro, 2009 às 16:36
menina alice
Sábia. Eu acho que nem deve ser muito mais que isso.
Terça-feira, 20 Outubro, 2009 às 13:43
aNa
😉
Segunda-feira, 19 Outubro, 2009 às 19:02
kianda
O regresso ao passado tem sempre um quê de dor … mas no fim, espero eu, torna-nos mais fortes. Porque como dizes e bem “…mas a vida, e cada vez tenho mais certeza disso, acaba sempre por nos dar hipótese de reparar o que nos perturba. assim nós estejamos predispostos a tanto”
Beijú!!!
Terça-feira, 20 Outubro, 2009 às 13:44
aNa
torna, sim! beijo. 🙂
Segunda-feira, 19 Outubro, 2009 às 19:07
pp
viste o Fidel? 😉
Terça-feira, 20 Outubro, 2009 às 13:45
aNa
mandou-te um abraço, chefa! 😉
Segunda-feira, 19 Outubro, 2009 às 21:37
Orun Ayê
minha querida amiga… com a maior e mais sincera ternura te digo, aprender a admirar alguém pela sua coerência e disciplina, foi das melhores e mais gratificantes coisas que aprendi e que ajudaram e mt a fazer de mim gente.
Até hoje, em 20 anos de desporto e outros tantos de trabalho, duas pessoas deram-me esse privilégio, uma delas foste tu.
Terça-feira, 20 Outubro, 2009 às 13:47
aNa
obrigada por não expôres os meus maus momentos! 😉
és uma querida.
sabes, e também não é por acaso que, passados cinco anos, ainda aqui andamos a encontrar-nos.
Terça-feira, 20 Outubro, 2009 às 08:40
lr
li, reli, e … não sei se concordo. são pressupostos que se aplicam ao trabalho e a relações ‘funcionais’ mas será que se aplicam às outras vivências ‘afectivas’? sim, honestidade e coerência são características fundamentais, sempre. já a ‘verdade’ é uma coisa tão relativa. e ternura, sempre, sim, é bem essencial. devia estar nos direitos humanos.
Terça-feira, 20 Outubro, 2009 às 13:54
aNa
a verdade, no sentido de se ser verdadeira. sem subterfúgios tácticos. não vejo que isso seja relativo. não falei de de conceitos nem de certezas. mas, claro, cada pessoa é uma pessoa.
e, acredito, que se consiga agir de forma diferente em trabalho e relações ‘funcionais’, do que nas vivências ‘afectivas’ – só nunca consegui descobrir como, mas também não me faz diferença que gosto de ser assim: emotiva e espontânea. 🙂
Terça-feira, 20 Outubro, 2009 às 10:19
amariadaiana
a verdade nunca é relativa. o GRANDE Agostinho da Silva dizia que a nossa maior traição é a que cometemos contra nós próprios – e isso é o que acontece quando faltamos à verdade. à nossa verdade, que deve ser a bússola que nos norteia. sempre. não há como darmo-nos mal. não há como sermos mal recebidos. e a noção de coerência interna que advém dessa atitute, é um fantástico bónus, tão bem figurado na ideia de deitar a cabeça na almofada e estar em paz.
Terça-feira, 20 Outubro, 2009 às 13:55
aNa
(depois admiras-te que eu te adore!)
Terça-feira, 20 Outubro, 2009 às 11:30
anabela
Oh aNa, como consegues (!?), como consegues escrever sempre tão bem (e tocar-nos, mesmo quando o assunto não nos diz respeito)???… Bjsssss 🙂
Terça-feira, 20 Outubro, 2009 às 13:56
aNa
minha mui querida anabela, tu sabes como, mas eu vou-te dizer na mesma: com o coração! 🙂
Terça-feira, 20 Outubro, 2009 às 14:36
Cátia
Voltar lá, não seria facil nunca… não seria ontem, nem há 3/4/5 anos, nem seria daqui a 10. Mas chega sempre uma altura em que simplesmente acontece. Aconteceu-te ha dois dias… Viste que o que aconteceu, aconteceu e ainda bem. Viste como é importante ser verdadeira com os outros, mas acima de tudo contigo mesma. E a ternura… essa que é um ingrediente fantástico de toda e qualquer relaçao. Espero que tenha sido um momento bom, um momento que te faça estar feliz por voltar lá, passados 5 anos.
Um beijo
CA
Terça-feira, 20 Outubro, 2009 às 16:56
Lupy
Já hoje por outras razões tinha dito que eras sábia. Reforço e reforço. Da mesma forma há pouco pensei que já há algum tempo não visitava este espaço que mais não é que… visitar-te e, depois do que li não posso deixar de sentir emoção… através de ti. E sim, SÓ A VERDADE É REVOLUCIONÁRIA e aplica-se em todos os campos da nossa existência! Como afirmas-te a verdade, a coerência e o empenho era o exemplo que me fez chegar todos aqueles anos a horas aos jogos. E foi, acima de tudo essa verdade de acreditar, de sorrir de verdade, de estar zangada de verdade, de me castigares de verdade (era merecido) que sempre me fez acreditar que de verdade estariamos muito mais próximas… de verdade. Já por diversas vezes te disse que é um previlégio conhecer-te e se olhar para os longos anos que nos conhecemos, sei, sinto que é uma amizade baseada em todos esses pilares em que o primeiro será essa VERDADE DE ACREDITAR, de ESTAR e de SABER ESTAR. E acho que deves estar e sentir o peito cheio de emoção pelo regresso porque, minha doce amiga, esse regresso pelas razões que lá foste só foi possivel pelo que semeaste e deixaste a germinar. Adoro-te!
Quarta-feira, 21 Outubro, 2009 às 00:06
sem-se-ver
respeito o teu reencontro, fico contente por ti. mas atrevo-me a considerar que ele só correu bem porque estás em paz contigo mesma.
erro?
Quarta-feira, 21 Outubro, 2009 às 10:58
Orun Ayê
…tb os teus maus momentos foram os nossos… presentes por sermos uma EQUIPA, presentes pelo orgulho que tinhamos por o ser e presentes pelos laços que foram ficando dentro de cada uma de nós que viveu e sentiu todos esses momentos (bons e menos bons), como um ensinamento de vida…
Quarta-feira, 21 Outubro, 2009 às 13:48
aNa
Cátia
bem visto. 😉
oh Lupy… pá.
assim não dá! 🙂
sem-se-ver
erro nenhum, minha querida. aliás, foi mesmo isso que me permitiu voltar tranquila: o luto que fiz.
Orun Ayê
eu referia-me também à minha má disposição, etc e tal.
(hoje reconheço que não devia ser fácil)