somos diametralmente opostos, embora de gerações coincidentes – separam-nos dois anos, coisa que neste idade não tem relevância nenhuma. tem coisas que às vezes só me apetece bater-lhe. mas é muitíssimo divertido, com um humor extremamente inteligente e com uma capacidade de improviso que nos dispõe bem.
é de família bem, do tempo em que bem rimava com educação.
dá beijinho ao irmão, quando se cumprimentam.
e chora.
está aqui ao lado, de olhos vidrados de lágrimas, porque o pai foi internado de urgência e não está nada bem.
eu… nem lhe digo nada. quando se está assim, o que queremos é que nem digam nada, senão a malta desfaz-se em pranto. fiz-lhe uma festinha no cabelo, mas a minha vontade é de abraçá-lo e dar-lhe colo.
e estou aqui toda amarfanhada. invariavelmente, nestes casos, projecto-me. não há como. e penso, penso, penso. fantasio aquilo que é ridículo fantasiar, porque não há forma de saber se viverei esses momentos. e fantasiar a tristeza é, para além de mórbido, um exercício muito doloroso.
a doença. o sofrimento. a perda. a ausência. a morte. coisas tramadas.
e nem adianta pensar em fazer terapia, novamente, para me preparar para tudo isto, ou só uma parte, porque estou farta de ouvir dizer que, por muito que se esteja à espera, nunca se está suficientemente preparada.

4 comentários
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Quinta-feira, 11 Março, 2010 às 15:32
nina
nunca mesmo, podes crer. e eu preparei-me desde os 13 anos. preparar não é o termos certo. temer. dá o abraço.
Quinta-feira, 11 Março, 2010 às 23:09
Estrunfina
O ser humano é um bicho estranho pk essa projecção fantasiosa de k falas é inevitável e traz sempre uma dor no peito k parece k nos arrancam tudo cá de dentro. Invariavelmente acabamos smp por abanar a cabeça e pensar…”um dia, um dia” kerendo desesperadamente acreditar que esse dia nunca chegará.
Sexta-feira, 12 Março, 2010 às 14:30
Lupy
… se “fantasiarmos” que da vida faz parte, também, esse sofrimento… então estaremos mais preparados. Não se trata de estar mais ou menos. É apenas um exercicio que nos permite passar pela dor a dizer “Gracias à la Vida”.
Sexta-feira, 12 Março, 2010 às 14:32
Lupy
já agora, gosto da versão do por extenso intervalada pelos pontos. Como diria a nossa amiga, são “tiquetas”… com muito estilo.