[nocturno]
agitação permanente. calor, imenso calor. destapo-me, arrefeço. tapo-me e deixo os pés de fora. acordo mal disposta. o pescoço a queixar-se. a almofada anatómica virada ao contrário para fazer efeito… nenhum! despertadores a tocar e um cansaço que me derruba. quem dorme na minha cama e tenta sonhar meus sonhos? (*)
[manhã de azul]
mar chão. espreguiço-me. o vento mal bulia e o céu o mar prolongava. (*) reúno vontades para seguir caminho. resisto à tentação de ficar a boiar o pensamento. azul. azul. azul. busca. se um olhar de novo brilho, no meu olhar se enlaçasse. (*)
começar a manhã a ouvir fado é muito bom.
no entanto, questiono-me: como seriam os nocturnos de Bach, Chopin, Mozart? assim agitados?

6 comentários
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Quinta-feira, 14 Abril, 2011 às 10:50
cegonhagarajau
🙂
excelente!
Nunca me tinha questionado sobre “os nocturnos de Bach…” e agora fiquei a pensar nisso!
De facto uma questão curiosa e ainda por cima de manhã cedo (eu funciono em baixa rotação quando me levanto…alentejana que se preze é assim)!
Votos de noites mais descansadas.
Abraço ilhéu.
Quinta-feira, 14 Abril, 2011 às 11:12
aNa
não te iludas, my dear. eu também funciono em baixa rotação… hoje saiu-me isto tudo disparado boca fora, teclas dentro… enfim, a pré-menopausa é uma coisa muito estranha! 🙂
abraço marginal.
Quinta-feira, 14 Abril, 2011 às 21:50
Nocturno de Bach
Um dos meus fados favoritos é o «Fado Português», mas tem de ser pela Amália. O outro tu sabes qual é. até já o cantámos juntas.
Ainda que disparatado, está aqui um belo texto.
Sexta-feira, 15 Abril, 2011 às 10:41
aNa
disparatado????
Sexta-feira, 15 Abril, 2011 às 16:16
Nocturno de Bach
Aquela do “disparatado” é mera consequência de estar a escrever comentários enquanto falo ao telefone com outras pessoas sobre assuntos completamente diversos deste. Claro que o texto não é disparatado, aliás, felizmente, já te tinha dito, antes de escrever o comentário, que gostei imenso do texto.
(O que eu acho extraordinário é que, estando a fazer várias coisas ao mesmo tempo, embrulho umas nas outras e depois surgem beldades como esta, mas a pontuação, a gaita da pontuação, essa, sai sempre impecavelmente correcta. Bolas. Freud deve explicar.)
Sexta-feira, 15 Abril, 2011 às 16:24
aNa
Freud e a educação na Suíça, não? 😉